Fiemg lança núcleo em Minas

Meta é dobrar volume de empresas inovadoras e elevar a competitividade da indústria.

RAFAEL TOMAZ.

23/11/2010 - A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) lançou ontem, em Belo Horizonte, o núcleo de inovação. O projeto foi criado pela Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e visa dobrar o número de empresas inovadoras no país e elevar a competitividade do setor industrial.


ALISSON J. SILVA

Machado (Fiemg) e Coutinho (BNDES): inovação

O núcleo de Minas Gerais irá atender aproximadamente 200 empresas na sensibilização, capacitação e assessoria para a elaboração e implantação de planos de gestão da inovação. O trabalho será feito por meio de convênios firmados entre a CNI e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT).

Apesar de registrar melhora no volume de investimentos em inovação, o Brasil ainda apresenta taxas abaixo de países desenvolvidos, o que contribui para a perda de competitividade.

De acordo com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, o atraso verificado no país reflete a instabilidade da economia brasileira entre as décadas de 80 e 90. "Este cenário impossibilitou que os empresários tivessem uma visão de longo prazo, pois havia riscos em investir na inovação", afirmou.

Por outro lado, o presidente do banco de fomento afirmou que a atual estabilidade e confiança na economia brasileira podem contribuir para a expansão dos aportes privados em inovação. Além disso, conforme ele, atualmente há linhas de financiamento que permitem os investimentos.

Coutinho ressaltou que somente entre janeiro e outubro o BNDES realizou desembolsos da ordem de R$ 11 bilhões para Minas Gerais, o que representa incremento da ordem de 66% na comparação com o mesmo intervalo do ano passado. "Somente R$ 4,3 bilhões foram para as micro e pequenas empresas (MPEs)", disse.


Importância - O presidente da Fiemg, Olavo Machado Júnior, destacou a importância da inovação para o setor. Conforme ele, os empreendedores devem buscar a melhoria dos processos, independente do porte da empresa. "Todos os empresários, grandes ou pequenos, em Minas Gerais devem ser inovadores para se manter no mercado", disse.

ALISSON J. SILVA

Coutinho: atraso verificado reflete a instabilidade da economia brasileira
entre as décadas de 80 e 90

Ele ressaltou que a inovação abrange várias áreas dentro das empresas. Desde a melhora dos produtos até a parte tecnológica. "É quando você consegue obter diferenciais em relação à concorrência", disse.

Já o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, ressaltou que o fomento no número de empresas inovadoras no país será um dos principais projetos para a entidade nos próximos anos. "Temos diversos temas em nossa pauta, como a desoneração tributária, mas a inovação é um dos principais pontos", afirmou.

Andrade afirmou que a entidade pretende instalar núcleos de inovação por todo o país. "Fechamos um convênio de R$ 50 milhões com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) para a implantação de comitês regionais para fomentar a inovação", disse. Ele lembrou que o projeto é viabilizado por meio de parcerias como o BNDES e o Finep.

O secretário-executivo do MCT, Luiz Antônio Elias, afirmou durante o evento de lançamento do núcleo que o Brasil atravessa um ciclo robusto de investimentos. "Neste contexto é necessário o progresso técnico do setor produtivo", ressaltou.

De acordo com ele, as grandes players mundiais em diversos setores mantiveram os aportes em inovação mesmo em meio a crise financeira, que eclodiu no último trimestre de 2008. Segundo Elias, este fato demonstra que a inovação é necessária para o enfrentamento de cenários negativos.

Ainda conforme o secretário-executivo do ministério, a taxa de crescimento da inovação no país vem crescendo em uma taxa de aproximadamente 10% ao ano na atual década.

Fonte: Diário do Comércio