Mundo
receberá mais celulose do hemisfério sul
Região é hoje responsável
por 36% de toda a demanda em celulose.
Por
Andrea Berzotti
22/11/2010 - O que mais tem se falado durante o V Congresso Latino-Americano
das Perspectivas do Setor de Celulose e Papel, que está acontecendo
nesta segunda e terça-feira (22 e 23), em São Paulo,
são as questões socioambientais e seus investimentos.
O executivo da Mckinsey & Companny, Andréas Mirow, afirmou
que cada vez mais o mundo vai receber celulose do hemisfério
sul - é ela a responsável, somente em 2009, por 36%
de toda a demanda.
De acordo com Mirow, há uma forte tendência hoje no que
se refere à fibra de madeira. Ela está se tornando cada
vez mais cara, principalmente na Europa Ocidental, pois os países
não serão capazes de atender suas necessidades e atingir
suas metas de energia renováveis se não investir em
biomassa. "Isso possivelmente terá um aumento de preços",
disse. Na América do Norte, o cenário é bastante
similar, mas este é um grande fornecedor para a Europa de bionergia.
Já a China, que apresenta um custo muito alto da madeira, na
perspectiva de Mirow, não será capaz de apresentar grandes
evoluções. "É mais barato comprar celulose
de outros países do que investir em florestas plantadas",
mostrou.
Por outro lado, a América do Sul tem todas as condições
para ser o local de escolha para investimento de celuloses - que hoje
apresenta grandes perspectivas de crescimento. "O crescimento
está mesmo no hemisfério sul, pois temos a biomassa
para a renovação de energia renovável",
alertou.
Diversas pesquisas têm mostrado que metade do mundo irá
crescer e a outra metade ficará estável, mas com o crescimento
da mídia eletrônica poderá haver um impacto no
consumo de papel. "Naturalmente, iremos ver uma consequência
do aumento da produção de celulose e uma queda no fornecimento
de papel". Esse cenário poderá gerar boas oportunidades
no hemisfério sul, pois haverá um aumento de custo.
"Há grandes oportunidades para a América Latina,
mas se o timing for correto, ou seja, se as empresas investirem ao
mesmo tempo", mostrou Mirow.
Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira
de Celulose e Papel (Bracelpa) também fez um alerta quanto
às questões sociais e ambientais do País, principalmente
neste momento pós-crise. "Passamos razoavelmente pela
crise. O Brasil foi um dos únicos países que cresceu
em volume de produção de papel e celulose nesta fase",
disse.
Por outro lado, na questão ambiental, a China impacta a atmosfera
com milhões de dióxido de carbono. Para se ter uma ideia
dos prejuízos que um dos países mais desenvolvidos causa
no mundo, para ele crescer 10% , são necessários investimentos
bilionários da economia mundial. O lado bom da história
é que o Brasil tem a celulose mais sustentável do mundo.
"O Brasil vai crescer por mérito próprio e por
problemas no mundo", destacou Elizabeth.
Mesmo a indústria de papel se globalizando e se modernizando,
os investimentos em sustentabilidade são proeminente investidor
do futuro. "O Brasil terá uma produção industrial
mais sustentável do mundo", mostra Elizabeth. Segundo
ela, o Brasil vai dobrar sua base florestal, tanto para a produção
de C&P , quanto na produção de carvão e madeira.
A média de crescimento é saltar de 6,5 milhões
de toneladas para 13 milhões. "O foco do Brasil é
ultrapassar a produção da China em celulose", adiantou
ela traçando um cenário bastante promissor graças
as suas florestas mais produtivas do mundo e sua grande absorção
de carbono. "A credibilidade é o pilar de todo o século
21", destacou Elizabeth de Carvalhaes.
Fonte: Celulose Online |
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