Empresas
preveem alta de até 30% na produção editorial
Na era do e-book, as indústrias ainda
apostam no livro de papel.
22/08/2010 - A Suzano Papel e Celulose fez este mês sua
primeira grande ação de marketing voltada para o mercado
editorial: foi a feiras literárias e contratou uma atriz para
ler por horas a fio para promover um tipo de papel que proporcionaria
uma experiência agradável aos olhos. A estratégia
sinaliza uma maior atenção das papeleiras ao segmento
de livros, que se refletirá em uma expansão de até
30% na oferta de produtos para impressão neste ano.
As ações da Suzano na Feira Literária Internacional
de Paraty (Flip) e na Bienal do Livro, em São Paulo, serviram
para promover o papel Pólen, variedade off-white, de cor amarela,
que a empresa diz ser mais adequada aos livros de lazer do que o similar
branco. A empresa disputa o mercado editorial nacional principalmente
com a MD Papéis, que oferece o Chamois, na mesma coloração.
A MD produz 12 mil toneladas do produto ao ano; a Suzano, que fabricou
9 mil toneladas em 2009, pretende fechar o ano próxima do mesmo
patamar.
Embora ainda o mercado editorial ainda seja um nicho para grandes
indústrias, a disputa pelo fornecimento de produtos específicos
ao setor mostra uma mudança na balança de interesses
das fabricantes em papel para impressão. Aos poucos, os livros
para leitura "recreativa" ganham parte da atenção
antes voltada aos didáticos, que garantem volumes maiores.
Para Tadeu Souza, diretor comercial da MD Papéis, o investimento
nos papéis off-white se explica pelo fato de o espaço
para o crescimento do mercado editorial ser bem maior. "O Brasil
produziu 380 milhões de livros no ano passado, o que é
menos de 2 livros por habitante. Há um espaço enorme
de crescimento. Já os livros didáticos vão se
expandir somente com a população, que hoje cresce menos",
argumenta.
O executivo prevê vendas até 7% maiores para o segmento
de papel para imprimir e escrever em 2010. Ele também descarta
que os e-books venham a atrapalhar o desempenho das vendas para as
editoras. "Os livros eletrônicos não substituem
a experiência do papel. Um livro pode ser grifado, emprestado
a outros e guardado", diz Souza. Uma pesquisa do instituto GfK
mostra que, pelo menos por enquanto, ele está certo: segundo
o levantamento, 67% dos brasileiros desconhecem os e-books.
Dados do mercado editorial mostram que a produção e
a venda de livros cresceram acima da média da economia em 2009,
quando o PIB brasileiro recuou 0,2%. A produção de livros
saltou 13,5%, para 386 milhões de exemplares. Por conta da
queda do preço médio do livro, o faturamento do setor
subiu 2,1%, para R$ 3,4 bilhões (veja quadro).
Embora os números oficiais sobre 2010 só devam ser divulgados
em meados de 2011, há evidências de aceleração
do mercado editorial brasileiro neste ano. A receita bruta das livrarias
Saraiva teve alta de 26,8% no primeiro semestre deste ano, em relação
a igual período do ano passado. As vendas das lojas físicas
da rede subiram 19,4% no segundo trimestre. Excluindo-se as novas
unidades, a alta foi de 10,5%.
Acostumadas a grandes contratos, as indústrias de papel trabalham
com pequenos volumes com as editoras - a maior parte das negociações
é feita por obra. O gerente executivo de estratégia
e marketing da Suzano, Adriano Canela, diz que os acordos podem seguir
a tiragem padrão de um livro no mercado local, que gira em
torno de 3 mil exemplares. "Oferecemos diferentes cortes do papel,
conforme a segmentação exigida", afirma Canela.
Segundo ele, a oferta mais especializada ajuda a aumentar o preço
do produto em até 15%.
Para ganhar em volume, a fabricante investe no contato com editoras
que investem em títulos comerciais, como a Sextante. A empresa
recentemente lançou O Aleph, de Paulo Coelho, com tiragem inicial
de 200 mil exemplares, impresso no papel Pólen. A Suzano também
desenvolve relacionamentos no setor doando papel para alguns livros
- caso da biografia de Clarice Lispector -, em troca de menção
à marca da companhia no fim da obra.
De olho. O crescimento do segmento editorial chama a atenção
também de indústrias que ainda não desenvolvem
produtos específicos para a leitura recreativa. Do total de
108 mil toneladas de papel produzido pela finlandesa Ahlstrom no Brasil,
34% são de papéis para imprimir e escrever. A companhia
vende principalmente a editoras ligadas a didáticos, e só
produz papel branco. A previsão da empresa é crescer
até 20% neste nicho em 2010.
O gerente de vendas da companhia, Paulo Camargo, diz que a empresa
estuda diversificar as linhas de sua unidade de papel, em Jacareí
(SP). De acordo com ele, após período de acomodação
por causa da crise, a empresa pode "desengavetar projetos".
Fonte:
O Estado de S.Paulo/Adaptado por Celulose Online
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