PONTO
ELETRÔNICO - Obrigatoriedade adiada para 2011
Ministro do Trabalho recua sob a alegação
de que a indústria não está preparada para atender
demanda.
LUCIANE LISBOA e AG.
19/08/2010 - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, recuou e adiou a
obrigatoriedade do ponto eletrônico para o dia 1º de março
de 2011. A medida estava prevista para entrar em vigor na quinta-feira
da semana que vem e as empresas que adotam esse sistema estariam sujeitas
a multas a partir de novembro, caso não instalassem o novo
equipamento certificado. Com a alteração no prazo, os
fiscais terão que cumprir um período de 90 dias para
iniciar as autuações, o que deverá ocorrer só
a partir de junho.
ROOSEWELT
PINHEIRO/ABR

Carlos Lupi: "Manter o prazo poderia gerar
enxurrada de ações na Justiça"
19/08/2010 - O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, recuou e adiou
a obrigatoriedade do ponto eletrônico para o dia 1º de
março de 2011. A medida estava prevista para entrar em vigor
na quinta-feira da semana que vem e as empresas que adotam esse
sistema estariam sujeitas a multas a partir de novembro, caso não
instalassem o novo equipamento certificado. Com a alteração
no prazo, os fiscais terão que cumprir um período
de 90 dias para iniciar as autuações, o que deverá
ocorrer só a partir de junho.
Como
justificativa, Lupi alegou que a indústria não está
preparada atender a demanda a tempo. Levantamento do ministério
aponta que os fabricantes certificados pela pasta têm condições
de produzir 553 mil equipamentos até novembro. Porém,
um universo de 800 mil empresas terá que instalar o novo
sistema, sendo que várias delas terá que contar com
mais de um equipamento, como bancos, por exemplo.
Diante
do quadro, argumentou o ministro, manter o prazo para a implementação
do novo sistema poderia gerar uma enxurrada de ações
na Justiça. Ele nega pressão política e diz
que a indústria não se preparou porque acreditava
na revogação da portaria editada há um ano.
"Foi
uma decisão técnica. Não posso exigir uma coisa
que o mercado não tem condições de atender.
Isso daria um gargalo e a gente poderia sofrer ações
na Justiça", afirmou o ministro.
Lupi
disse que a resistência à nova regra - que exige um
relógio de ponto com capacidade para armazenar dados e munido
de impressora - é pontual. Segundo ele, apenas montadoras
e frigorífricos estão contra a medida. O ministro
reiterou ainda que quem não quiser se adequar poderá
optar por controles manuais. Mas, para os empresários, isso
representa um retrocesso.
Contrário
à nova regulamentação, o presidente do Sindicato
da Indústria Mecânica de Minas Gerais (Sindimec-MG),
Petrônio Machado Zica, disse que o governo não deveria
ter adiado o prazo para a implantação da nova regulamentação
referente à adoção do ponto eletrônico,
mas, sim, deveria ter cancelado a medida.
"O
governo deveria banir o ponto eletrônico de vez e não
apenas adiar a medida para o ano que vem. As empresas já
têm muitos gastos e agora serão obrigadas a investir
mais dinheiro para aquisição desses equipamentos",
afirmou.
Segundo
Zica, a nova regra do ponto eletrônico vai em sentido contrário
do que vem sendo feito no restante do mundo. "Nos outros países
ele está sendo banido. preciso ampliar a fiscalização
por parte do Ministério do Trabalho nas empresas que cometem
infrações. O que não pode é o governo
penalizar quem age corretamente", argumentou.
Na
opinião dele, esse dinheiro que as empresas terão
que gastar para se adequar à nova portaria poderia ser revertido
para investimentos na ampliação da produção
industrial.
O presidente
da Confederação Nacional da Indústria (CNI),
Robson Braga de Andrade - que há cerca de duas semanas pediu
uma intervenção do presidente Lula -, comemorou o
adiamento, apesar das pressões do setor produtivo para derrubar
a portaria. Segundo ele, haverá mais tempo para que empresários
e sindicalistas construam uma proposta de consenso.
"Essa
medida precisa ser revista. Ela não tem eficácia,
aumenta a burocracia e o custo das empresas", disse. Ele defende
proposta apresentada por representantes das centrais sindicais ao
ministro, anteontem, que dá liberdade para que empresas e
sindicatos possam negociar o ponto em acordos coletivos.
Fonte: Diário do Comércio
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