Para analistas, preço da celulose pode cair mais

Mas a retomada do ciclo de alta é esperada ainda para 2010.


19/08/2010 - Depos da redução de preços de US$ 50 por tonelada, pela Fibria e Suzano, analistas trabalham com a possibilidade de nova queda nas cotações, entre US$ 30 e US$ 40 por tonelada, já no próximo mês. Fundamentos positivos de mercado, de acordo com os especialistas, podem não ser o suficiente para segurar os preços nos patamares atuais, alcançados em razão de eventos não recorrentes e já superados. Mas a retomada do ciclo de alta é esperada ainda para 2010.

Desde o início do ano, foram aplicados seis reajustes, de até US$ 50 por tonelada, na esteira das condições favoráveis de demanda e de restrições na oferta, em razão de um terremoto no Chile, grande produtor mundial da matéria-prima, e problemas logísticos na Finlândia, importante centro para a fibra longa. Agora, os preços estariam passando por um ajuste sazonal, com retomada da trajetória de alta entre o fim deste ano e o início de 2011.

"Essa redução (de agosto) parece refletir um ajuste pontual, porque eventos como o terremoto no Chile e problemas de logística na Finlândia acabaram puxando ainda mais os preços", afirma o analista Leonardo Alves, da Link Investimentos. "O cenário ainda é positivo e as empresas passaram mensagens otimistas. Mas pode haver algum ajuste ainda."

Para o analista Marcelo Aguiar, do Goldman Sachs, a expectativa é de mais uma redução nos preços, da ordem de US$ 40 por tonelada em setembro, por questões sazonais. "Não se trata de um evento estrutural", apontou Aguiar em relatório recente. O banco trabalhava anteriormente com projeção de corte de US$ 50 por tonelada em setembro, o que acabou ocorrendo com um mês de antecedência. Ainda assim, prevê que a relação entre oferta e demanda mundial de celulose no segundo semestre "deve mostrar-se bastante apertada, uma vez que se aproxima o momento de retomada das compras por parte da China, por conta dos baixos níveis dos estoques".

Entre junho e julho, segundo Fibria e Suzano Papel e Celulose, as duas maiores produtoras mundiais de celulose branqueada de eucalipto, os estoques mundiais da matéria-prima mantiveram-se abaixo dos níveis históricos. Em junho, estavam em 25 dias (ante 33 da média histórica). Neste mês, a tonelada da celulose de fibra curta (que inclui a de eucalipto) é negociada com preço de referência de US$ 870 no mercado europeu.

Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online