Governo
incentivará empréstimos privados
Pacote
sai em 45 dias no máximo.
20/08/2010 - Rio - O governo lança dentro de, no máximo,
45 dias um pacote de incentivos ao sistema financeiro para estimular
empréstimos privados de longo prazo a projetos empresariais,
especialmente de infraestrutura.
ANTÔNIO CRUZ/ABR

Mantega: BNDES não terá tanto recurso
do Tesouro como nos 2 últimos anos
Ontem,
na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
(BNDES), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o "conjunto
expressivo" de medidas pode incluir mecanismos relacionados
a tributos, compulsórios, debêntures, securitização
e recebíveis imobiliários, entre outros.
"Podemos
mexer em tributos, podemos mexer em compulsórios; há
vários mecanismos e instrumentos que podemos modificar. Não
quero me antecipar... (Podemos também) usar mais debêntures",
afirmou. O pacote está sendo discutido com representantes
do sistema financeiro.
Um
estudo, coordenado pelo economista Cláudio Frischtak, consultor
especializado na área de infraestrutura, será apresentado
ao BNDES e ao governo federal. Segundo fontes de mercado, o estudo
aponta a tributação sobre as operações
financeiras como um dos principais empecilhos ao financiamento privado.
O estudo
deve sugerir o corte do imposto cobrado sobre investimento estrangeiro
em debêntures (papéis de dívidas de empresas).
Também vai recomendar a redução do imposto
cobrado de aplicações de debêntures a curto
prazo, para garantir mercado para os papéis. Hoje, há
pouco interesse privado na negociação de debêntures.
De
acordo com uma fonte que acompanha as negociações,
o BNDES será um importante veículo para o estímulo
ao crédito privado ao setor produtivo. Da mesma forma em
que ingressa em operações de oferta inicial de ações
(IPO, na sigla em inglês), o banco poderá, por meio
da BNDESPar, sua empresa de participações, garantir
demanda firme no lançamento de debêntures de empresas
ou projetos. A calibragem será fixada de acordo com cada
projeto.
Técnicos
do ministério e do BNDES estão discutindo com representantes
dos bancos de que forma os incentivos podem tornar viáveis
a participação privada nos projetos. As medidas não
apenas permitiram o retorno do crédito privado como também
reduziriam o papel do BNDES como principal financiador do setor
produtivo. A participação intensa do BNDES em projetos
de grandes grupos empresariais tem rendido críticas à
interferência do governo na economia.
Injeções
- Para garantir os desembolsos do banco, frente ao aumento da
demanda, o Tesouro Nacional injetou no BNDES, a partir do ano passado,
R$ 180 bilhões. "O Tesouro não vai continuar
colocando no BNDES as cifras que colocou nos últimos dois
anos", afirmou Mantega. Segundo o ministro, a ideia é
que, "a partir de 2011 o setor privado esteja muito mais presente
no financiamento de longo prazo".
Em
julho, Mantega havia adiantado que o governo estava estudando algumas
medidas, como a desoneração de Imposto de Renda para
o lançamento de debêntures para projetos. Citou como
exemplo uma debênture voltada a projetos de infraestrutura,
como a "debênture Rio Madeira".
"Ainda
não temos pronta essa agenda do financiamento. São
várias medidas em várias áreas", disse
ontem o ministro. Deu mais um exemplo, sobre como desenvolver o
mercado de securitização, usando imóveis como
garantia. "No ano passado, só a Caixa aplicou R$ 47
bilhões em financiamento imobiliário. Mas os Certificados
de Recebíveis Imobiliários (CRI) estão acumulados
em R$ 4 bilhões ou R$ 5 bilhões. No mínimo
poderia ser igual ao que ela emprestou." (AE)
Fonte: Diário do Comércio
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