Fiemg
revisa para baixo crescimento da indústria mineira
Fiemg revisa para baixo crescimento da indústria mineira
LÍDIA REZENDE.
10/08/2010
- A Federação das Indústrias do Estado de Minas
Gerais (Fiemg) calculou que o setor industrial mineiro deverá
crescer menos do que o esperado para o ano. A previsão de
faturamento, que era de 15% até o final de 2010, foi revisada
para cerca de 11%. No primeiro semestre, as vendas brutas do segmento
registraram expansão de 12,25% frente ao idêntico período
do ano anterior.

Lincoln Gonçalves: estabilização após
o crescimento acelerado
na recuperação verificada no pós-crise
No
confronto de junho ante maio, o aumento foi de 0,51%. Já
o crescimento dessazonalizado para o período foi de 1,28%.
Na comparação entre junho de 2009 e o sexto mês
em 2010, houve incremento de 12,75%. No semestre, o faturamento
teve alta de 12,25% em relação ao mesmo intervalo
do ano anterior. Os dados foram divulgados ontem pela pesquisa Indicadores
Industriais, realizada pela entidade, revelaram que a utilização
da capacidade instalada do segmento apresentou retração
de 0,58% em junho frente ao mês anterior.
Na
mesma base de comparação, a indústria mineira
também registrou queda nos demais indicadores de crescimento.
Houve diminuição de 0,30% no número de empregos,
além da redução de 1,58% na massa salarial
real. Já as horas trabalhadas na produção industrial
diminuíram 2,09% em junho contra maio, conforme o estudo
da Fiemg.
Com
relação aos postos de trabalho, as maiores reduções
ocorreram nos gêneros Coque, Refino de Petróleo e Álcool
(2,55%) e em Produtos de Metal (2,09%). No primeiro caso, a retração
ocorreu em virtude da transferência de funcionários
para a área agrícola, que não é contabilizada
pela pesquisa. E, na segunda atividade, a diminuição
é reflexo da finalização de obras realizadas
por empresas de estruturas metálicas.

Os setores de Produtos de Minerais Não-Metálicos e Máquinas
e Equipamentos foram os principais responsáveis pela queda
na massa salarial real, registrando retração de 13,07%
e 10,36%, respectivamente. O resultado se deve à redução
no pagamento de rescisões em junho frente maio. O segmento
Artigos de Vestuário e Acessórios registrou a maior
diminuição na variável horas trabalhadas (10,39%),
conseqüência da retração de mão de
obra e da concessão de férias coletivas, segundo o estudo.
Sem preocupação - Na avaliação do diretor
da Fiemg Lincoln Gonçalves, a retração não
é motivo de preocupação para a entidade. "São
valores pouco significativos. Além disso, em todos os indicadores,
há fatores que distorcem a base de comparação,
como o grande número de pagamentos de rescisões contratuais
em maio ante junho, no caso da variável massa salarial, por
exemplo", esclareceu.
De
acordo com o diretor da entidade, a diminuição revela
uma tendência no segmento industrial mineiro e nacional. "Assim
como quase todas as atividades que movem a economia, estamos passando
por um processo de estabilização, caminho natural
a ser seguido após o reaquecimento registrado depois da crise
financeira", argumentou. Ele acredita que o setor deverá
permanecer neste ritmo durante os próximos anos. "Com
a acomodação da produção industrial,
não deve haver demissões, nem contratações,
nem aumento da capacidade instalada, os números ficarão
praticamente iguais", previu.
No
entanto, Gonçalves admitiu que o reajuste de meio ponto percentual
na taxa básica de juros (Selic) pelo Comitê de Política
Monetária do Banco Central (Copom), que passou de 10,25%
para 10,75% ao ano, teve significativa influência na redução
da estimativa de crescimento para o setor industrial mineiro em
2010. "A alta dos juros é extremamente prejudicial ao
setor. Com a medida, o BC espera conter inflação acima
5%, número muito longe do que deve ser registrado no segmento
industrial", explicou.
Apesar
de ter reduzido a previsão de faturamento, as estimativas
da Fiemg para a expansão das indústrias mineiras em
2010 são otimistas. A federação calculou que
a produção industrial de Minas deve atingir 13,85%
em dezembro, valor acima do que deve ser registrado em nível
nacional (12,10%). Já as exportações no Estado
devem chegar a US$ 24,4 bilhões. "Isso tudo é
reflexo da recuperação do setor no semestre. Já
alcançamos e, em alguns casos até superamos, os números
do período pré-crise. A tendência de estabilização
acontece neste cenário de prosperidade", salientou Gonçalves.
Fonte:
Diário do Comércio
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