Cenibra vai investir no aumento da produção

Unidade já opera à plena carga.

LEONARDO FRANCIA.

05/08/2020 - A Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), instalada em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, confirmou ontem ao DIÁRIO DO COMÉRCIO que vai investir no aumento da capacidade produtiva. A informação é do presidente da companhia, Paulo Eduardo Rocha Brant. "A planta opera à plena carga, não tem condições de produzir mais e trabalha apenas com estoque para entrega imediata. A expansão é urgente", disse.

ERIC GONÇALVES/DIVULGAÇÃO

A Cenibra, que já opera sem ociosidade, poderá retomar o projeto para expansão
do complexo produtivo instalado em Belo Oriente

Entretanto, Brant afirmou que ainda não foi definido como a produção será incrementada. Segundo ele, a primeira opção é retomar o programa de expansão da unidade, desenvolvido há quatro anos e engavetado em função da crise financeira internacional. Neste caso, seria implantada uma terceira linha de produção na planta de Belo Oriente, com capacidade anual de 800 mil toneladas de celulose. A produção, então, saltaria dos atuais 1,2 milhão de toneladas anuais para 2 milhões de toneladas por ano.

O projeto original de ampliação da capacidade da fábrica previa investimentos de US$ 1,2 bilhão. Porém, Brant explicou que o cenário econômico atual demandaria pelo menos US$ 1,8 bilhão, já que o aporte necessário para a produção de uma tonelada anual de celulose gira em torno de US$ 1,5 mil.

A outra alternativa da companhia é construir uma nova planta, que teria capacidade anual para produzir entre 1,3 milhão de toneladas e 1,5 milhão de toneladas de celulose. "O investimento é alto e ainda está em aberto. Um grupo formado por especialistas de cada área da Cenibra está avaliando as possibilidades. E o projeto deve ser definido até o final do ano", afirmou.

O aumento da produção também exige a expansão da base florestal da companhia. Por isso, deste ano até 2014, a Cenibra investirá cerca de US$ 400 milhões no setor. A empresa maneja atualmente uma área superior a 255 mil hectares, sendo 129 mil hectares de plantio de eucaliptos, 102 mil hectares área de Preservação Permanente e Reserva Legal e 23 mil hectares destinados à infraestrutura.


Preço - Em relação ao preço da celulose, Brant explicou que a tendência é de recuo nos próximos meses, no que se refere ao mercado asiático. No ano passado, conforme ele, a produção foi majoritariamente exportada para a China, que recebeu o volume que os Estados Unidos e a Europa deixaram de comprar em função da crise.

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Com a expansão, a produção da Cenibra passaria de 1,2 mi de toneladas
anuais para 2 mi de toneladas/ano

"A demanda chinesa pela celulose brasileira em 2009 foi intensa em função da queda do preço. A China, literalmente, avançou sobre o produto aumentando seus níveis de estoque. Este ano, no entanto, como o preço já voltou ao patamar pré-crise, o país asiático diminuiu o ritmo das compras para desovar o volume guardado", disse o presidente da Cenibra.

Mesmo assim, Brant acredita que nos próximos anos as importações chinesas de celulose representarão aproximadamente 20% da demanda mundial. Um dos fatores que contribuem para a previsão é o fato de que na China o consumo per capita é hoje de 50 quilos de papel ao ano, o que é pouco comparado à demanda anual por habitante nos Estados Unidos e na Europa, que chega a 250 quilos de papel. No entanto, o país asiático possui uma população superior a 1 bilhão pessoas.

O presidente da Cenibra explicou ainda que a variação no preço da celulose é diferente para a Ásia, Estados Unidos e Europa. Hoje, no mercado norte-americano, a tonelada do produto é comercializada a US$ 900, no europeu, custa US$ 870, e no asiático, cerca de US$ 850, o que equivale a uma média pouco superior a US$ 870, aproximadamente 8,7% maior do que a média do pré-crise (US$ 800).

O preço da tonelada do insumo no exterior chegou a cair 50% no ápice da crise, entre o último trimestre de 2008 e o final de março de 2009, o que levou o faturamento da empresa a acompanhar a tendência e também recuar de US$ 750 milhões em 2008 para US$ 520 milhões no ano passado, uma queda de 30,7%.


Exportação - Atualmente, 92% da produção anual da unidade de Belo Oriente são destinados ao mercado externo e cerca de 8% ao interno. Segundo Brant, a Europa é, atualmente, o principal comprador da Cenibra, com fatia correspondente a 35%, seguida pelo Japão e China (ambos com 20%) e Estados Unidos e Canadá, com cerca de 7%.

A Cenibra é o quinto maior exportador de Minas Gerais. De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), a empresa teve participação de 2,97% dos embarques mineiros do primeiro semestre deste ano. No período, a companhia exportou US$ 355,869 milhões contra US$ 182,290 milhões no mesmo intervalo de 2009, alta de 101%.

A unidade emprega 1,8 mil pessoas. No entanto, os postos de trabalho gerados pela atividade de plantio e colheita de eucaliptos e pelo transporte da madeira vinculados à companhia chegam a 7 mil.

Fonte: Diário do Comércio