Suzano Papel entrará no mercado de pellets

Do investimento total previsto para este ano, 41,6% serão gastos em materiais


30/07/2010 - São Paulo - A Suzano Papel e Celulose, uma das maiores produtoras de celulose de eucalipto do mundo, passará também a fornecer madeira para produzir energia elétrica. A empresa anunciou ontem a criação da Suzano Energia Renovável, que fabricará pellets (partículas desidratadas e prensadas de madeira moída).

Com elevado poder calorífero, os pellets serão comercializados na Europa para empresas que produzirão energia a partir da biomassa. Com esse novo braço de negócios, a companhia pretende aproveitar o potencial de crescimento de demanda por fontes renováveis de energia na Europa.

O continente busca deixar a a matriz energética mais limpa. Até 2020, pretende reduzir em 20% as emissões de gás carbônico. A Suzano estreia no ramo com a ambição de tornar-se, rapidamente, a maior empresa do setor. "A Suzano Energia Renovável será líder mundial na área de pellets", afirmou o presidente da Suzano Papel e Celulose Antonio Maciel Neto.

O projeto prevê a produção de 5 milhões de toneladas de pellets por ano. Atualmente, a empresa finlandesa Vapo é a maior do mundo no segmento, e fabrica 1 milhão de toneladas anuais.

A companhia prevê duas fases de implementação do projeto. Na primeira etapa, três fábricas serão construídas no Nordeste para produzir 1 milhão de toneladas de pellets cada uma. Para a segunda fase está prevista a construção de mais duas unidades com a mesma capacidade de produção, em locais que ainda não foram definidos.

"Estamos prospectando áreas para o plantio florestal", disse André Dorf, presidente da Suzano Energia Renovável. Para cada 1 milhão de toneladas de pellets produzidos, serão necessários 30 mil hectares de florestas com características específicas - com menos fibras do que o necessário para a fabricação de celulose, por exemplo.

Investimento - Entre a primeira e a segunda fases, serão necessários investir US$ 1,3 bilhão, e a Suzano ainda estuda como financiar os aportes. Quando todas as fábricas estiverem operando em plena capacidade, o que deve acontecer entre os anos de 2018 e 2019, a receita da Suzano Energia Renovável está prevista para ser de US$ 800 milhões ao ano.

O valor representa mais de 30% do faturamento anual da Suzano Papel e Celulose, que no ano passado ficou em R$ 4 bilhões. Segundo Dorf, a companhia já negocia o fornecimento de 2,7 milhões de toneladas de pellets para geradoras de energia europeias, que devem assinar contrato até o final deste ano.

"Vamos replicar toda a competitividade que já temos em celulose para o mercado de energia", disse Dorf. A Suzano ainda não descartou a possibilidade de ampliar as atividades no mercado de energia para outras áreas, além da produção de pellets. "Podemos ampliar o escopo da empresa", disse Maciel.

A empresa tem ampliado os investimentos em tecnologia florestal. Há cerca de um mês anunciou a compra da empresa de biotecnologia Futuragene, para ampliar a atuação em pesquisa e desenvolvimento florestal. (FP)

Fonte: Diário do Comércio