Plantações
de cafés cedem espaço para eucaliptos
Área plantada de florestas já
supera a de café nas regiões mineiras.
Da
Redação
19/07/2010
- O jornal Estado de São Paulo publicou uma matéria
recentemente falando da situação dos agricultores
na região do Estado de Minas Gerais que estão trocando
as plantações de café pela dos eucaliptos.
A reportagem trouxe como exemplo o agrônomo Alexandre Aad,
de 64 anos, de Viçosa. Cafeicultor desde o início
dos anos 1970, Aad chegou a ostentar o título de maior produtor
da região, com cerca de 1,2 milhão de mudas, um número
significativo quando se fala em cafeicultura de montanha. De 2007
para cá, porém, o produtor iniciou um processo de
substituição, trocando a cultura tradicional pelo
eucalipto. Atualmente, do total de 393 hectares que possui, em apenas
30 ele ainda planta café. Mas por pouco tempo. "Este
é o último ano que eu colho. Vou ficar zerado de café",
comenta o produtor, anunciando a adesão total ao eucalipto.
A opção
de Aad simboliza um silencioso processo de substituição
que já chama a atenção para os entraves da
produção cafeeira em regiões acidentadas, como
o sul mineiro e a Zona da Mata. Enquanto a cafeicultura de montanha
perde competitividade por causa dos elevados custos de produção,
as diversas aplicações e a economia em curva ascendente
nos últimos anos levaram o plantio de florestas de eucalipto
ao patamar de uma das mais promissoras alternativas do agronegócio
mineiro, que avança a passos largos.
Embora
a recessão global tenha freado essa expansão no ano
passado, a área de florestas plantadas em Minas já
atingiu uma marca histórica, superando a mais tradicional
cultura mineira. O plantio de coníferas (pinus) e eucalipto,
principalmente, já atinge uma área de cerca de 1,5
milhão de hectares no Estado, contra 1,1 milhão de
hectares do café, segundo a Secretaria de Estado da Agricultura
do Estado e os últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia
e Estatística (IBGE).
O eucalipto vem se consolidando como uma espécie de "poupança
verde" para os pequenos produtores rurais e promissor investimento
diante da demanda internacional por celulose e da procura crescente
pelo carvão vegetal que abastece o mercado siderúrgico
no âmbito doméstico. Demanda reforçada ainda
pela indústria moveleira, pela utilizaçãocda
lenha para produção de energia, além do aperto
da fiscalização à utilização
de matas nativas. "Em Minas vem surgindo o fazendeiro florestal",
observa o presidente da Federação da Agricultura do
Estado (Faemg), Roberto Simões.
Compartilhamento
Embora a substituição seja uma realidade em determinadas
regiões, ela está associada a culturas específicas.
A expansão do eucalipto no Estado está mais relacionada
à diversificação do plantio e à utilização
de áreas degradadas de pastagens para o plantio de florestas.
De
acordo com o superintendente da Associação Mineira
de Silvicultura (AMS), Antonio Tarcizo de Andrade, trata-se de um
processo de compartilhamento. "Os produtores estão plantando
em áreas degradadas para agregar valor à propriedade.
É mais um meio de ganhar dinheiro", diz Andrade, ressaltando
que o metro cúbico de uma "floresta em pé",
pronta para o corte, é atualmente é avaliado entre
R$ 45 e R$ 50.
Nos
últimos anos, a área plantada de eucalipto vinha crescendo,
em média, 200 mil hectares/ano. Em 2009 foram 130 mil hectares
a mais. Ainda assim, para atender o consumo do produto no Estado,
a área plantada deveria ser 40% maior, observa Andrade. "Só
tem crescido e tem de crescer mais".
Fonte:
Estadão/Adaptado por Celulose Online
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