A
dificuldade das empresas nas Práticas sustentáveis
Altos executivos adiam as práticas
sustentáveis
13/07/2010
- Os executivos de grandes empresas já encaram as práticas
sustentáveis como fundamentais para os seus negócios
e carreiras. Mas aplicá-las é uma outra história.
Uma pesquisa mundial realizada com quase 900 principais executivos
e seus auxiliares imediatos mostra o abismo que existe entre a retórica
e a prática no mundo empresarial.
Realizada
pela consultoria Accenture, a pesquisa apontou que 88% dos funcionários
do alto escalão acreditam que os conceitos de sustentabilidade
econômica, ambiental e social devem ser incorporados ao planejamento
estratégico da empresa. Mas apenas 54% admitem que conseguiram
esse feito.
Em entrevista ao Valor, Matthew Govier, líder para a área
de consultoria em sustentabilidade da Accenture no Brasil, explicou
que a dificuldade maior é em integrar as estratégias
de sustentabilidade à cadeia produtiva por inteiro. "As
lideranças estão vivendo um descompasso entre as suas
ambições e o enraizamento do conceito de forma transversal
dentro da empresas e, sobretudo, na cadeia produtiva e nas subsidiárias".
Uma
das explicações para isso é a competição
inerente em uma empresa para a definição de prioridades
estratégicas: 48% dos principais executivos ouvidos apontaram
esse fator entre três maiores obstáculos.
Há
outros entraves. A incerteza para interpretar a demanda do consumidor,
antecipar futuras regulamentações e transmitir ao
investidor a importância da sustentabilidade são alguns
exemplos. "Os CEOs (principal executivo) não estão
seguros sobre até que ponto a preocupação com
a sustentabilidade pesa na decisão de compra do consumidor",
diz Govier, ressaltando que além da pessoa física,
o consumidor representa empresas e governos.
Segundo
a pesquisa, 72% dos entrevistados afirmaram que o que motiva a conscientização
no alto escalão é, de longe, o impacto sobre a imagem,
confiança e reputação da empresa que a sustentabilidade
pode proporcionar. Crescimento da receita e redução
de custos foram citados por 44% dos entrevistados; 42% disseram
que é uma motivação pessoal e 39% que é
uma resposta à demanda.
A importância
que os principais executivos atribuem à sustentabilidade
como caminho para o sucesso do negócio varia de região.
Na América Latina, 78% acreditam que o assunto é muito
importante. No Oriente Médio e na África, 22%. "Isso
talvez reflita a importância que os consumidores dessas regiões
deem para o assunto e a posição mais moderna das empresas
latino-americanas", diz Govier.
Há também diferenças em como a sustentabilidade
é enxergada por esses executivos. Para indústrias,
trata-se de reduzir impacto ambiental de suas operações
e produtos. Mas em setores como o de tecnologia de informação,
os executivos começam a observar só agora oportunidades
para crescimento e inovação com produtos e serviços
sustentáveis.
Fonte:
Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online
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