CNI vê o início do processo de estabilidade

09/04/2010 - Brasília - Após meses recuperando a ociosidade que foi gerada pela crise financeira internacional, a indústria brasileira está num processo de estabilidade do nível de utilização da capacidade instalada (Nuci). Essa é a avaliação do gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.

Depois de subir em março e em abril, o indicador que mede o nível de utilização da capacidade instalada teve ligeira queda, de 82,8% para 82,3% entre abril e maio. "Este é um sinal de que pode haver uma estabilização desse indicador", disse Castelo Branco, acrescentando que essa estabilidade é saudável pois significa que a indústria não vai gerar pressão inflacionária.

Segundo ele, dois fatores colaboram para isso. O primeiro é que o efeito da ocupação da ociosidade criada pela crise já terminou e o segundo é que os investimentos estão crescendo a um ritmo superior ao do consumo, equilibrando a relação entre a capacidade das fábricas e a produção. Segundo a CNI, a expansão da indústria continua sendo fomentada pelo mercado interno, já que as exportações ainda estão sentindo o efeito da crise econômica iniciada em setembro de 2008.

Faturamento - Outros índices divulgados pela CNI mostram crescimento como, por exemplo, o faturamento real, que se expandiu 2,1% em maio ante abril, na série com ajuste sazonal. Segundo o economista da entidade, Marcelo de Ávila, esse aumento foi um ajuste perante a queda do faturamento verificado em abril.

Naquele mês houve uma redução do faturamento devido ao fim dos incentivos tributários às vendas como, por exemplo, a redução do IPI dos carros e dos produtos da linha branca. "A tendência é continuar a expansão, pois o mercado interno continua crescendo, mas em ritmo mais moderado", completou Castelo Branco.

Já o emprego na indústria cresceu 0,4% em maio ante abril, na série com ajuste e 6,1% ante maio do ano passado. Nos cinco primeiros meses do ano, o emprego cresceu 3,9%. Já a massa salarial real paga pelas fábricas subiu 7,4% em maio, na comparação com maio de 2009. Para este indicador, a CNI não tem série histórica longa o suficiente para fazer cálculo mês ante mês anterior dessazonalizado. No ano, a massa salarial cresce 4,6%.

Ainda segundo a Confederação Nacional da Indústria, o rendimento médio real cresceu 0,8% no período, na comparação com o mês anterior, 1,2% comparativamente a maio de 2009. As horas trabalhadas nas companhias também voltaram a apresentar elevação em maio, de 1% na mesma base de comparação. No ano, o crescimento é de 7,5%. (AE/FP)

Fonte: Diário do Comércio