APP
quer produzir celulose no Brasil
Empresa deve investir US$ 1 bi para produzir
no País.
05/07/2010
- O Brasil poderá ter em breve mais um aporte que poderá
elevar em 5% a previsão de US$ 20 bilhões no ciclo
2010-2017. Iniciadas as obras da maior linha de produção
de celulose do mundo, a da Eldorado Celulose, agora é a vez
da Asia Pulp & Paper (APP) de voltar sua atenção
para o Brasil. A companhia, que possui fábricas de papel
na China e na Indonésia que somam 15 milhões de toneladas
de capacidade instalada, prevê investir pelo menos US$ 1 bilhão
na produção da commodity no País.
Geraldo Ferreira, diretor-geral da subsidiária da APP no
Brasil, afirmou que a empresa procura por terras para floresta própria,
fábricas de celulose ou algum parceiro que atenda aos dois
quesitos anteriores. Ele disse que a empresa está de olho
para o maior país da América do Sul depois da crise
mundial. "Estamos focados no Brasil em regiões como
sul, centro oeste e possivelmente nordeste. Queremos fabricar a
celulose aqui e exportar para nossas fábricas na China, e
depois importar para cá o produto final: o papel", afirma
Ferreira. O porta-voz lembrou que pode ser escolhida mais de uma
alternativa.
Com essa incursão no Brasil, a APP busca reduzir a dependência
de celulose de fibra curta de mercado e de seus constantes aumentos,
que vêm se sucedendo desde o ano
passado. Atualmente, a APP produz uma parte da celulose que utiliza
em suas linhas - são 20 fábricas ao todo. De acordo
com Ferreira, a empresa asiática compra cerca de dois milhões
de toneladas anuais dessa matéria-prima no mercado. Um quarto
deste volume tem origem brasileira.
Os motivos que levaram a APP a querer entrar neste mercado estão
relacionados ao menor custo de produção da commodity
em terras nacionais. Segundo dados da entidade setorial, a produtividade
das florestas plantadas de eucalipto em 2009 alcançou 44,2
metros cúbicos por hectare ao ano e prazo de maturação
de sete anos. Esse índice de produtividade é muito
mais elevado que a média encontrada na Europa, onde a empresa
tem uma fábrica (França). De acordo com os dados da
Bracelpa, naquele continente o rendimento anual não passa
de 12 metros cúbicos por hectare plantado.
Por esses motivos, Carvalhaes não se surpreende com a vinda
de empresas como a APP, pois, além do menor custo de produção,
há cerca de 70 milhões de hectares de terras aráveis.
A maior parte dessa área, explica ela, está localizada
no centro-oeste. Não coincidentemente, é nessa região
do País que está a mais nova fábrica do setor
em operação, a Fibria, em Três Lagoas, e uma
outra que está em construção no mesmo município,
a Eldorado Celulose.
Ferreira compartilha da mesma opinião: para ele, as condições
de produtividade brasileira atraem os investidores e os fabricantes
de papel. "A consolidação do setor está
trazendo empresários do segmento para o Brasil em busca de
matéria-prima", afirmou o executivo.
Expansão
A estimativa da associação é de que, com os
US$ 20 bilhões de investimentos já conhecidos, o setor
aumente em 25% a base florestal e eleve a produção
da commodity dos atuais 14 milhões de toneladas para até
22 milhões de toneladas ao final deste período. Em
papel, a expectativa é de passar a produzir 13 milhões
de toneladas do produto, crescimento de cerca de 40% ante o registrado
no ano passado.
O vice-presidente da consultoria finlandesa Pöyry e membro
do conselho da Associação Brasileira Técnica
de Celulose e Papel (ABTCP), Carlos Farinha e Silva, é mais
otimista.De acordo com ele, com a chegada de novas empresas ao País
e com os projetos de implantação de novas fábricas,
a produção de celulose, até meados de 2020,
deverá aumentar 100%. Segundo ele, além dos novos
projetos em andamento, a produção já deve aumentar
entre 2010 e 2011 em função de melhorias nas fábricas.
Fonte:DCI/Adaptado por Celulose Online
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