Rebelo
recua sobre redução de mata ciliar
Rebelo recua sobre redução
de mata ciliar.
06/07/2010
- O relator da proposta de reforma do Código Florestal, deputado
Aldo Rebelo (PCdoB-SP), surpreendeu ambientalistas e ruralistas
ontem ao fazer novas alterações em seu parecer, divulgado
no início de junho. Em uma das principais novidades, ele
retirou a autorização para os estados reduzirem em
50% matas ciliares, áreas de proteção permanente
(APP), nas margens de cursos de água que tenham de cinco
a dez metros de largura. O relatório pode ser votado hoje.
Acusado de favorecer ruralistas, Rebelo desagradou boa parte do
grupo ao propor a redução de 30 metros para 15 metros
a APP na margem de rio com largura de cinco metros a dez metros.
A insatisfação foi gerada porque, de acordo com o
texto anterior, a redução poderia chegar a 7,5 metros.
Outra modificação mal recebida responsabiliza os produtores
rurais pelo custo da recomposição da reserva legal.
A medida serviria para estimular a averbação (registro
em escritura) dos lotes de reserva legal.
Segundo Rebelo, algumas alterações foram sugeridas
pelo Ministério do Meio Ambiente. Os ambientalistas pediram
adiamento para analisar o documento de quase 100 páginas
distribuído pelo relator. Já os ruralistas, apesar
das discordâncias, voltaram a defender a apreciação
da matéria.
Também atendendo às pressões dos ambientalistas,
o relator prevê que agricultores tenham de fazer compensação
florestal em áreas com o mesmo bioma da propriedade desmatada,
sem necessariamente ser no mesmo estado. Antes, a compensação
poderia ser feita em outra área, desde que nos limites do
mesmo estado da propriedade.
Integrantes da bancada do agronegócio querem votar o tema
rapidamente ainda em plenário, mas os ambientalistas e o
líder do governo, Cândido Vaccarezza (PT-SP), já
defenderam que o tema fique para depois das eleições.
O PT apresentou um substitutivo ao relatório que deve aquecer
ainda mais o debate.
Para o deputado Assis do Couto (PMDB-PR), a mudança na orientação
sobre as matas ciliares inviabiliza as pequenas propriedades. Ele
explicou que Santa Catarina já prevê, em seu Código
Florestal, o limite de cinco metros de APP, e que o pequeno produtor
é extremamente afetado porque fica impedido de usar a maior
parte de sua propriedade.
Também foi polêmica a separação em dois
artigos da previsão da moratória de cinco anos sem
derrubada de mata para atividades agropecuárias e a consolidação
das áreas já utilizadas. De acordo com o deputado
Valdir Colatto (PMDB-SC), isso permitiria que o presidente da República
suprimisse a consolidação das áreas, mantendo
somente a proibição de novas derrubadas.
O relator ampliou o período em que poderiam ser protocolados
os pedidos de supressão de florestas que poderiam estar a
salvo da moratória. Do limite de julho de 2008, passou para
a data de publicação da lei que está sendo
produzida.
Rebelo também restabeleceu a previsão de que o desrespeito
à lei ambiental, além de obrigar à recomposição
das áreas devastadas, também expõe o responsável
a sanções cíveis e penais. Quem suprimir vegetação
de forma ilícita a partir de 2008 ficará proibido
de receber novas autorizações de supressão
de vegetação, de acordo com o relatório.
O relator da proposta de reforma do Código Florestal, Aldo
Rebelo, recuou sobre a possibilidade de os estados reduzirem em
50% matas ciliares. O texto pode ser votado hoje.
Fonte: DCI/Adaptado por Celulose Online
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