Investimentos
em celulose pode chegar em US$ 20 bi
Três fábricas estão em
construção em três Estados e têm início
de operação previsto entre 2012 e 2014.
29/06/2010
- O Brasil passa por um novo ciclo de investimentos na produção
de celulose, com a previsão de aplicação de
aproximadamente US$ 20 bilhões até 2017. Esse montante,
estimado pela Associação Brasileira de Celulose e
Papel (Bracelpa), será aplicado em expansão da capacidade
industrial e na base florestal no país. Em 2017 termina o
ciclo de crescimento dos eucaliptos que estão sendo plantados
neste ano.
Um cenário de demanda crescente pelo principal insumo utilizado
na produção de papel e um ambiente propício
para a produção de celulose de fibra curta estimulam
os investimentos. "A demanda por papel ainda está crescendo
e temos um número limitado de novos projetos", afirma
o diretor de Relações com Investidores da Suzano Papel
e Celulose, André Dorf. De olho nesse potencial, a empresa
busca praticamente dobrar de tamanho nos próximos quatro
anos, atingindo uma capacidade instalada de 7,2 milhões de
toneladas por ano.
A Suzano trabalha em duas novas fábricas de celulose, localizadas
no Maranhão e no Piauí, que devem entrar em operação
em 2013 e 2014, respectivamente. Cada uma adicionará capacidade
instalada de 1,3 milhão de toneladas de celulose por ano.
A companhia planeja ainda a construção de uma terceira
unidade do mesmo porte e a expansão da fábrica já
existente em Mucuri (BA). "Temos confiança total em
nossa competitividade em relação à produção
no hemisfério norte", diz Dorf. As novas unidades serão
voltadas ao mercado externo.
Também com foco em exportação nasce a Eldorado
Brasil, com capacidade de 1,5 milhão de toneladas de celulose
por ano, que será construída em Três Lagoas
(MS). A região já tem a presença da Fibria,
empresa resultante da fusão entre Aracruz e VCP. O investimento
na fábrica, que deve iniciar as atividades em 2012, é
estimado em R$ 4,8 bilhões. "O começo de produção
vai coincidir com uma janela muito interessante na relação
entre oferta e demanda", diz o diretor comercial, Sérgio
Almeida.
Além das novas unidades brasileiras, há apenas um
projeto de grande porte que deve entrar em operação
nos próximos anos no mundo: uma fábrica da chinesa
Rizhao, com capacidade para produzir 1,5 milhão de toneladas
de celulose por ano. A elevada competitividade do Brasil no setor,
devido à maior disponibilidade de terras, água e solo
favorável ao plantio de eucalipto, também atrai o
interesse de empresas estrangeiras.
No ano passado, a chilena CMPC adquiriu uma fábrica de celulose
e outra de papel da Aracruz em Guaíba (RS). A sueco-finlandesa
Stora Enso é parceira da Fibria na Veracel, em Eunápolis
(BA), e teria interesse em construir uma unidade, em nova parceria
ou não, no Sul do país. "Os estrangeiros estão
olhando para o Brasil. A maior parte da oferta adicional prevista
para os próximos anos virá do país. Temos baixo
custo de produção", diz Bruno Rezende, analista
da Tendências Consultoria. Enquanto no Brasil o corte do eucalipto
ocorre sete anos após o plantio, na Europa esse processo
demora, pelo menos, 25 anos.
Fonte: Folha de S. Paulo/Adaptado por Celulose Online
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