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Papel
limpo e sustentável
Por Andrea Berzotti
23/06/2010
- Muito se fala sobre florestas plantadas, sustentabilidade e o
conceito de empresas legalmente responsáveis com o meio ambiente,
principalmente no setor de papel e celulose. Campanhas incentivando
a não utilização dos papéis, como forma
de contribuir com o meio ambiente surgem e, com isso, criam uma
polêmica. Afinal, a utilização do papel contribui
com a degradação do meio ambiente? Nesta entrevista,
o professor e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa,
Sebastião Valverde, explica a desinformação
que existe hoje contra o consumo de papel. Seguidor e defensor de
uma campanha sobre a utilização do papel, Valverde
mostra a seguir sua preocupação em deixar claro que
as árvores destinadas à produção de
papel provêm de florestas plantadas, alinhadas com a ecologia
e com a natureza e que respeitem ainda mais o equilíbrio
do meio ambiente. "Com certeza, nossa indústria de celulose
é a que tem de mais sustentável do mundo. Na verdade,
é a mais eficiente em termos de uso dos recursos ambientais",
defende. Confira a seguir sua linha de raciocínio sobre esse
assunto que vem gerando grandes discussões, principalmente
no Brasil.
Celulose
Online: Qual a sua opinião sobre a Campanha de Valorização
do Papel e da Comunicação Impressa, que será
lançada na Fiesp no próximo dia 24?
Sebastião Valverde: Na minha opinião, esta campanha
é de extrema importância, haja vista as desinformações
que são veiculadas na mídia televisiva, como também,
infelizmente, nas escolas, contra o consumo de papel, alegando o
impacto ambiental causado na produção deste, sobretudo
com o absurdo de associá-lo com o desmatamento na Amazônia.
Desta forma, vejo esta campanha como uma oportunidade para podermos
esclarecer junto a um público seleto, formador e multiplicador
de opiniões que, ao contrário do que se veiculam,
nossa produção de papel é o que tem de mais
sustentável no mundo, pois utilizamos de plantações
florestais para a produção de celulose - matéria-prima
do papel - e de um processo industrial ambientalmente correto, dentro
de um sistema de gestão ambiental e de tratamento de efluentes
que podemos ser considerados modelo no mundo. Além disso,
praticamente para cada unidade de área de plantações
florestais, recuperamos a mesma com floresta nativa, especialmente
de Mata Atlântica. Desta forma, ao contrário do que
tentam mostrar para a sociedade, consumindo mais papel, mais estaremos
protegendo a natureza, recuperando a Mata Atlântica e preservando
a floresta Amazônica.
Celulose
Online: Existem ainda muitas dúvidas na população,
de uma forma geral, sobre a questão das florestas plantadas
e a utilização do papel. Na sua opinião, qual
a orientação quanto a esta questão?
Sebastião Valverde: Há ainda que esclarecer à
sociedade que nosso papel, além de "limpo", é
feito com madeira de reflorestamento em áreas que já
foram antropizadas, ou seja, áreas que foram desmatadas pela
agricultura e que foram abandonadas ou sub-utilizadas. Desta forma,
além de toda proteção das florestas nativas,
nossa plantação florestal se dá em áreas
que estavam em processo de degradação. Assim, temos
a virtude de produzir
madeira sem competir com a produção de alimentos para
o mundo.
Celulose
Online: O termo sustentabilidade é um dos mais utilizados
hoje pelo meio empresarial. Mas, o que é ser sustentável
verdadeiramente?
Sebastião Valverde: Posso garantir que o termo sustentabilidade
é um dos mais subjetivos na atualidade. Percebo que cada
pessoa tem um conceito de sustentabilidade, de preferência
à sua conveniência. No tocante às questões
ambientais, caracterizada por uma realidade complexa, polêmica
e transcendental, esta subjetividade tem gerado um clima de obscurantismo
que tem sido a arma poderosa para determinadas instituições
usarem nestes discursos de desenvolvimento sustentável com
o fulcro de, em muitas vezes, criar barreiras não tarifárias
para o comércio global, haja vista que as tarifárias
têm sido impelidas pela OMC. Para nós da área
de recursos naturais, sustentabilidade do ponto de vista ambiental,
está intimamente ligado ao uso dos recursos naturais num
nível que respeite a taxa natural de sua regeneração,
ou em um nível de exploração dentro da capacidade
de suporte do ambiente.
Celulose
Online: O senhor acredita que grande parte das empresas do setor
de papel e celulose são conscientes quanto às questões
que envolvem ecologia, meio ambiente e natureza?
Sebastião Valverde: Com certeza, nossa indústria
de celulose é a que tem de mais sustentável do mundo.
Na verdade, é a mais eficiente em termos de uso dos recursos
ambientais. Produzimos a celulose mais ambientalmente correta e
a de menor custo do mundo. Certamente, isto incomoda muito nossos
concorrentes que, até então, ainda são os players
no mercado.
Celulose
Online: Equilíbrio do meio ambiente teria que ser hoje uma
das principais preocupações da população
mundial e do setor empresarial. Infelizmente, não é
este o cenário. Com tantas tragédias naturais acontecendo
e com o volume de informação sobre o assunto, por
que a grande maioria da população não consegue
enxergar essa situação? O que deve ser feito?
Valverde: Pensando em Brasil, creio que a população
internalizou bem as preocupações ambientais. Nossas
indústrias em geral incorporaram o conceito de desenvolvimento
sustentável, muitas delas são certificadas pela ISO
14.000. No caso das florestais, elas são certificadas pelo
FSC. Enfim, certificações rigorosas universalmente
reconhecidas. Por outro lado, temos que ter o cuidado de separarmos
as tragédias resultantes de fenômenos naturais (terremotos,
deslizamentos provocados por excessos de chuvas etc) dos provocados
por ação do homem, seja no processo produtivo (vazamento
de petróleo da British Petroleum) ou por ocupações
indevidas (recentes tragédias no Estado do RJ), neste caso,
devido a problemas muito mais sociais do que ambientais.
Celulose
Online: Em relação ao consumo de papel, alguns meios
de comunicação e até e-mails divulgam uma campanha
contra o papel - "Antes de imprimir pense em seu compromisso
com o Meio Ambiente. SAVE PAPER - Think Before You Print".
Qual sua opinião sobre essa campanha?
Valverde: Minha opinião é que esta campanha vai
contra os interesses comerciais do Brasil e da proteção
da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. Porque, justamente
agora que o Brasil se desponta como de maior competitividade do
mundo na produção de celulose e papel, é que
desencadeiam uma campanha desta? Me entristece ver emissoras de
TV
e entidades que se dizem ambientalistas defenderem uma campanha
desta. São campanhas anti-patrióticas.
Celulose
Online: No entanto, existe - uma pequena fatia - que acredita que
deixar de lado a impressão e abandonar a utilização
de papéis sanitários, papel-toalha e papel higiênico
pode ser um ato sustentável, impedindo dessa forma a derrubada
de florestas. Este tipo de campanha pode aumentar ou o senhor acredita
que com o tempo elas podem diminuir?
Valverde: Na medida que nós do setor florestal e papeleiro,
agirmos no sentido de esclarecer a sociedade sobre a verdade dos
fatos, com certeza estas campanhas não terão mais
efeito. Durante muito tempo, nós do setor florestal tivemos
que combater uma campanha difamatória contra o eucalipto.
Hoje, praticamente, a sociedade já não se assusta
mais quanto aos mitos sobre esta cultura. Isto demonstra que nosso
trabalho de esclarecimento foi eficiente. Assim será para
esta contra o nosso papel. Esta é uma campanha da "Cadeia
Produtiva do Papel e da Comunicação Impressa"
para informar à sociedade sobre seu compromisso com o meio
ambiente e suas práticas de produção. Usando
os mais diversos veículos - impressos e eletrônicos
- a campanha pretende esclarecer dúvidas e, principalmente,
trazer à luz da verdade algumas questões ligadas à
sustentabilidade. A principal delas é deixar claro que as
árvores destinadas à produção de papel
provêm de florestas plantadas. Essas florestas são
culturas agrícolas, lavouras, como tantas outras. Somos um
conjunto de indústrias alinhadas com a ecologia e com a natureza,
ou seja, as nossas impressões são extremamente conscientes.
Hoje temos processos mais limpos do que a grande maioria das indústrias.
E, mesmo assim, buscamos todos os dias novas tecnologias de produção
que respeitem ainda mais o equilíbrio do meio ambiente.
Entrevistado:
Sebastião Valverde - Coordenador do curso Engenharia Florestal
da UFV
Descrição: Engenheiro Florestal, mestre e doutor
em Manejo e Economia Florestal, Coordenador do curso Engenharia
Florestal da UFV; autor de vários artigos publicados em periódico
científico, colaborador da Comissão Parlamentar de
Reforma do Código Florestal.
Fonte:
Celulose Online
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