O papel da celulose brasileira na China

Exportações para o país cresceram 130% em 2009.

17/06/2010 - Uma reunião internacional de associações do setor de celulose e papel, realizada em Tóquio na semana passada, terminou com uma boa notícia para o Brasil.
A China quer ser o maior produtor de papel do mundo e, para isso, precisa aumentar mais as importações de celulose do Hemisfério Sul. Nessa corrida, a celulose brasileira larga na frente dos concorrentes.

A celulose de eucalipto produzida no país é considerada a melhor do mundo, o que levou a China, que está em busca de uma fibra de maior qualidade, a reduzir sua própria produção para se abastecer no mercado brasileiro. Em 2009, em plena crise, as exportações de celulose para a China cresceram 130%. O que parecia um movimento conjuntural está se tornando uma tendência.

Segundo dados da Bracelpa - Associação Brasileira de Celulose e Papel, a produção brasileira é a mais capaz de acompanhar o crescimento da China. "Não estamos olhando esse desenvolvimento de longe, pretendemos crescer com eles. O Brasil está se equipando", disse Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Associação Brasileira de Celulose e Papel.

A principal diferença do Brasil são as florestas plantadas, de onde saem 100% da celulose e do papel produzido no país. Ou seja, não existe o uso de madeira de mata nativa: as árvores (pínus e eucalipto) são cultivadas em uma área determinada e colhidas para o uso industrial. Depois, o terreno é reflorestado, um sistema sustentável que vem sendo apontado como referência mundial.

Além disso, pesquisas para melhoramento genético das espécies conseguiram aumentar a produtividade. Os EUA, por exemplo, produzem 10 metros cúbicos de madeira em um hectare (um campo de futebol). O Brasil produz 60 metros cúbicos.

Desde 2008, o Brasil ocupa o quarto lugar do mundo entre os maiores produtores de celulose, mas é o primeiro entre os que produzem a fibra a partir do eucalipto. A folha absorve grandes volumes de gás carbônico da atmosfera. O papel de imprimir fabricado pelos chineses é o offset/ couché, que destina-se à impressão de revistas e livros. O país investe na instalação de grandes máquinas. O principal mercado comprador do Brasil ainda é a Europa, mas a China avança.

"A China já representa 40% de nossas exportações. Em pouco tempo, será nosso principal mercado" afirmou Elizabeth.

Fonte: Agencia o Globo/Adaptado por Celulose Online