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Economia
cresce com 'vigor redobrado' após crise, diz Mantega
Ministro manteve projeção de crescimento de 6%
a 6,5% para este ano.
Também disse que real é 'moeda respeitada' e criticou
agências de rating.
Alexandro Martello
Do G1, em Brasília
17/06/2010
- Enquanto a maioria dos países desenvolvidos ainda sente
os efeitos da crise financeira internacional, o que também
gerou reflexos na Europa, com alguns países com dificuldades
no pagamento de suas dívidas, o ministro da Fazenda, Guido
Mantega, repetiu, nesta quinta-feira (17), que o Brasil saiu da
crise melhor.
"O
Brasil já vinha tendo um crescimento maior antes da crise.
A crise nos levou à uma interrupção momentânea
do crescimento, mas economia volta com vigor redobrado. Estamos
crescendo com mais força do que tínhamos antes da
crise. Já iniciou-se um novo ciclo de crescimento",
disse ele durante reunião do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES) em Brasília.
O ministro
da Fazenda manteve a estimativa de que a economia brasileira crescerá
de 6% a 6,5% neste ano e acrescentou que a expansão econômica
se dará "sem desequilíbrios". "No passado,
gerava inflação e aumento da dívida externa
e dívida pública. Isso não está acontecendo
atualmente, o que permite que o Brasil continue crescendo",
disse ele, acrescentando que a inflação deve mostrar
recuo nos próximos meses.
Para
Mantega, o Brasil está crescendo "sem a formação
de gargalos". "Mesmo na área de infraestrutura,
que estava em uma situação pior, estamos correndo
bastante. Não vamos ter problemas de energia elétrica
e a logística está crescendo bastante. Não
haverá bolhas aqui no Brasil", disse, apesar de admitir
que há falta de mão de obra qualificada - que ele
classificou como um "problema excelente".
Investimentos
De acordo com o ministro, o investimento está crescendo em
um "patamar elevado". "Deveremos ter um crescimento
de 20% frente ao ano passado. No primeiro trimestre, cresceu 7,4%,
o que dá 30% anualizado. Temos um programa de investimentos
bastante ambicioso para os próximos anos, que deverá
alimentar o ciclo de investimentos. Só os projetos do PAC,
temos R$ 955 bilhões de 2011 a 2014. De fato, estamos tirando
o atraso que havia no investimento no país", disse.
Afirmou,
porém, que o país ainda tem muito o que avançar
nesta área, pois a taxa de investimento, na proporção
com o PIB, ainda é baixa. "Temos de passar dos 20%.
Nessa trajetória que estamos indo, poderemos chegar um patamar
satisfatório", disse. Ele lembrou que serão necessários
novos investimentos por conta da Copa de 2014 e das Olimpíadas
de 2016. "Investimento é o que mais vai crescer no Brasil.
Está crescendo a duas ou três vezes a velocidade do
PIB. Então, é um crescimento econômico com qualidade",
disse.
Real
impõe respeito
Mantega disse ainda que o Brasil tem a segunda moeda mais transacionada
no mercado futuro de opções. "Isso mostra que
o real é uma moeda respeitada. As pessoas estão fazendo
mais operações em reais do que em euros. Em euros,
por motivos óbvios [crise]. Estamos na frente do ien, libra
e euro como moeda de transação. Isso mostra que o
real é uma moeda de transação internacional,
que possui respeitabilidade e segurança. Impõe respeito
em nível internacional", declarou.
Agências
de rating
O ministro da Fazenda também disparou críticas às
agências de classificação de risco. Segundo
ele, estas empresas estavam dando "ratings" (classificações)
equivocados. "Elas dão notas muitas vezes não
condizentes", afirmou. Para ele, o Brasil, que já possui
"investment grade", uma recomandação para
investimentos, teria melhores condições do que outros
países com notas ainda melhores.
"Temos de criar uma alternativa as empresas de rating, que
poderia ser desenvolvida pelo FMI. Uma alternativa que pudesse ter
avaliação dos países, e não só
de empresas privadas", concluiu.
Fonte:
G1- Globo.com
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