|
1,1
mi de hectares na mão de estrangeiros
Cadastro aponta terras compradas por estrangeiros no Brasil.
13/06/2010 - O Jornal Corrreio Braziliense publicou matéria
neste domingo (13) que aborda o cadastro de terras compradas por
estrangeiros no Brasil são, na maioria, extensões
nas mãos de portugueses, japoneses e italianos. Segundo o
jornal, pelo menos 1,1 milhão de hectares estão em
poder de pessoas físicas e empresas dessas três nacionalidades.
"O documento oferece um perfil dos interessados em nossas terras,
mas seus números são imprecisos. A empresa que aparece
como maior proprietária, a Veracel Celulose, na Bahia, com
204 mil hectares, afirma ser uma empresa brasileira, embora 50%
do seu capital seja da multinacional sueco-finlandesa Stora Enso,
uma das maiores empresas de produção de papel do mundo.
Em segundo lugar, aparece a concorrente International Paper do Brasil,
uma empresa americana com sede no Tennessee e atuação
em 20 países", destaca o jornal.
Os
registros do Sistema Nacional de Cadastro Rural do Instituto Nacional
de Colonização e Reforma Agrária (Incra) estão
desatualizados em alguns anos. No final do ano passado, o Incra
abriu um recadastramento pela sua página na internet. Muitos
dos imóveis ainda têm os dados do registro inicial,
quando foram adquiridos. De uma forma geral, os proprietários
só se preocupam com a atualização no momento
da venda do imóvel. Outro problema é que o cadastramento
é voluntário e autodeclaratório. A maior parte
dos que declaram é pessoa física.
Eucaliptos
A legislação brasileira dificulta a identificação
do capital estrangeiro. Uma multinacional pode criar uma empresa
no Brasil com apenas 1% de capital nacional. Ainda assim, será
brasileira. Ela poderá registrar as suas terras em cartório
como empresa nacional e ficar fora do cadastro do Incra. A Veracel
adquiriu as primeiras terras para plantar eucaliptos no Sul da Bahia
em 1991, ainda com o nome de Veracruz Florestal, uma subsidiária
da empreiteira Odebrecht.
O grupo
noruegês Loretzen e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES) se associaram ao empreendimento. O nome mudou para
Aracruz. Em seguida, foi formada a sociedade com a Stora Enso. A
primeira colheita ocorreu em 2001. Quatro anos depois, construíram
a primeira fábrica, em Eunápolis (BA), com financiamento
do BNDES. Hoje, a produção alcança 1 milhão
de toneladas/ano. A Aracruz sofreu alterações societárias
e hoje se chama Fibria. Questionada por que o seu nome aparece como
empresa estrangeira no cadastro do Incra, a direção
da empresa respondeu: "Independentemente da origem dos acionistas,
a Veracel é uma empresa brasileira e todas as suas terras
foram adquiridas e registradas em seu nome". A concentração
de terras em alguns municípios impressiona. Só em
Santa Cruz de Cabrália são 56 mil hectares. Em Eunápolis,
são mais 48 mil. A multinacional dispõe de mais da
metade de todas as terras estrangeiras registradas na Bahia.
A Internacional
Paper tem 72 mil hectares de plantações de eucaliptos
em São Paulo e Mato Grosso do Sul. A sua maior propriedade
no Brasil fica em Glória de Dourados (MS), com 16,8 mil hectares.
Em Ponta Porã (MS), há mais 10 mil hectares. Em São
Paulo, destacam-se as fazendas em Brotas, com 10 mil hectares, e
Mogi-Guaçu, com 9,6 mil hectares. Suas três fábricas,
em Mogi-Guaçu (SP), Luiz Antônio (SP) e Três
Lagoas (MS), produzem 1 milhão de toneladas de papel por
ano. A empresa tem operações comerciais nas três
Américas, Europa, Rússia, Ásia e norte da África.
O município
que tem a maior concentração de terras estrangeiras
registradas é Porto Alegre do Norte (MT). Lá, três
famílias italianas e uma empresa agropecuária, a Frenova,
ocupam 79 mil hectares. No Oeste baiano, a produção
de soja e algodão está dividida entre fazendas de
holandeses, em Correntina, e de japoneses, em Barreiras, Riachão
das Neves, Formosa e São Desidério.
Fonte:
Corrreio Braziliense
|