|
Empresas
antecipam pedidos de papel-cartão para o Natal
Empresas afirmam que mercado não ficará desabastecido.
27/05/2010 - Empresas de alimentos e cosméticos estão
antecipando encomendas de papéis para embalagens, especialmente
papel-cartão, para produtos que serão vendidos na
época do Natal. O motivo é o forte aquecimento na
demanda, que já levou à dilatação nos
prazos de entrega e, em alguns casos, dificuldade no atendimento
por parte da indústria papeleira. Pedidos de papel para embalar
produtos que serão vendidos nas festas de fim de ano tradicionalmente
chegam às fabricantes entre julho e setembro. Neste ano,
contudo, começaram a ser enviados em maio, devido ao receio
de que falte material no mercado doméstico.
Conforme fonte da indústria de cosméticos, a elevada
procura por papel-cartão, usado em embalagens de medicamentos,
produtos alimentícios, beleza, higiene e limpeza, entre outros,
já ocasionou falta do produto no mercado interno. Tanto Klabin
quanto Suzano Papel e Celulose, as maiores fornecedoras nacionais,
afirmam que não há desabastecimento, nem risco de
que isso ocorra nos próximos meses.
As companhias confirmam que houve ampliação dos prazos
de entrega e afirmam que o equilíbrio na relação
entre oferta e demanda não deve ocorrer tão cedo.
Conforme as fabricantes, o segundo semestre corresponde justamente
ao período mais forte para os negócios de embalagem.
"Existe antecipação de pedidos para o Natal",
diz o diretor comercial da unidade de papéis-cartões
da Klabin, Edgard Avezum Junior. "Há pressão
de demanda, mas o mercado não ficará desabastecido",
garante.
Balanço da Associação Brasileira de Celulose
e Papel (Bracelpa) referente ao primeiro quadrimestre mostra que
as vendas domésticas de papel-cartão cresceram 39,8%
na comparação com igual intervalo do ano passado,
para 186 mil toneladas. Dentre todos os tipos de papéis comercializados
no país, foi o de maior crescimento. "O cartão
foi o primeiro a sinalizar a crise, lá atrás, porque
está muito relacionado à indústria de consumo",
explica o diretor da unidade papel da Suzano, Carlos Anibal. "Então,
toda a cadeia (de papel-cartão) partiu para a venda de estoques,
sem reposição. Só que o consumo não
recuou fortemente com a crise", acrescenta.
Diante desse cenário de desestocagem, e forte retomada das
vendas nos primeiros meses de 2010, as papeleiras se viram obrigadas
a ampliar os prazos de entrega para determinados tipos de produto.
Em alguns casos o prazo dobrou. Esse quadro, conforme Anibal, também
sustentou o reajuste de preços entre 10% e 15%, que começou
a ser aplicado neste mês. "Geralmente, quando há
anúncio de aumento de preços, as vendas mostram alguma
retração. Desta vez, isso não ocorreu",
acrescenta Avezum.
A dificuldade da indústria de atender a demanda doméstica
não foi suprida pelos fornecedores estrangeiros, ao menos
nos quatro primeiros meses do ano. Segundo levantamento da Bracelpa,
nesse intervalo, as importações de papel-cartão
caíram 16,7%, para 10 mil toneladas. Segundo fonte da indústria,
também lá fora há aperto na oferta, em parte
por conta do terremoto que atingiu o Chile no fim de fevereiro e
teve impacto nas operações da Arauco e da CMPC.
Se por um lado as importações recuaram, por outro,
as vendas de papel-cartão brasileiro no mercado internacional
cresceram 23,9% no quadrimestre, para 88 mil toneladas. A Klabin,
segundo Avezum, viu suas vendas para o mercado europeu crescerem
20%, apesar da crise na região. Desde o começo do
ano, os estoques da companhia já recuaram 60%.
Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online
|