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Desmatamento
cai 75% na Mata Atlântica
Apesar da redução, não há motivos
de comemoração, segundo os coordenadores da pesquisa.
27/05/2010 - Enquanto na década passada foram desmatados
946.269 hectares (ha) do bioma, nos últimos dez anos o desmatamento
foi de 238.466 ha, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais
divulgado ontem (26) pela SOS Mata Atlântica e pelo Instituto
Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Apesar da redução, não há motivos de
comemoração, segundo os coordenadores da pesquisa.
Considerando a fragilidade desse bioma, que possui apenas 7,9% da
sua área total preservada, qualquer desmatamento é
uma ameaça. "É bom ter reduzido, mas também
há pouco para desmatar", diz Marcia Hirota, coordenadora
do Atlas pela SOS Mata Atlântica.
Considerando apenas os últimos dois anos, foram desmatados
ao menos 20.867 hectares, uma queda de 21% em relação
à média global. Dois Estados, porém, desmataram
mais, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com aumento aumento de 15%
e 83%, respectivamente. A ONG ainda analisa as razões para
as recentes destruiçõ de mata nativa.
Em Minas, chama atenção a exploração
de carvão vegetal para sustentar a indústria de ferro
gusa. No Paraná, o maior responsável foi a expansão
urbana na região metropolitana. A coordenadora do Atlas diz
que o planejamento das cidades para a expansão urbana é
uma questão chave para a preservação do bioma.
"Estamos numa região extremamente populosa, temos 112
milhões de pessoas que habitam a Mata Atlântica."
Em São Paulo, apesar da redução de 9% do ritmo
de desmatamento nos últimos dois anos, foram detectados problemas
no Vale do Ribeira e litoral sul, locais onde há unidade
de conservação. Segundo Márcia, a situação
preocupa porque é uma das maiores áreas de remanescentes
contínuos de Mata Atlântica. Só no Vale do Ribeira
foram desmatados 422 ha, de um total de 743 ha no Estado. "Fica
um alerta para o Estado de São Paulo", diz.
Segundo Mário Mantovani, diretor de Políticas Públicas
da SOS Mata Atlântica, um assentamento rural colocado pelo
governo do Estado nos limites da unidade de conservação
em Jureia (SP) vem promovendo a degradação da área.
"Vamos fazer uma atuação mais efetiva lá.
A Jureia é uma unidade emblemática, que fez surgir
a SOS Mata Atlântica."
O Rio de Janeiro, com redução de 0,04% do bioma nos
últimos dois anos, recebeu elogios pelo seu trabalho de conservação
da floresta. "A meta do Estado é dobrar o total de áreas
protegidas e talvez consiga até final desse governo. É
algo exemplar", diz Mantovani.
Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online
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