Prévia da inflação oficial acelera para 0,63% em maio, diz IBGE

Remédios e energia elétrica foram principais pressões no mês.
Para analistas, alta dos preços está em níveis 'preocupantes'.


Ligia Guimarães
Do G1, em São Paulo


20/05/2010 - A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15), prévia do índice oficial usado para basear as metas do governo de controle dos preços, subiu para 0,63% em maio contra 0,48% em abril, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (20). No mesmo mês de 2009, o IPCA-15 havia ficado em 0,59%.

Na opinião de especialistas consultados pelo G1, a inflação medida pelo índice veio um pouco acima do esperado e já alcança níveis "preocupantes", tornando praticamente impossível a hipótese de que o Brasil termine o ano dentro do centro da meta inflacionária estabelecida pelo governo.

No ano, segundo o IBGE, a taxa acumulada para o IPCA-15 é de 3,16%, maior do que a variação observada no mesmo período do ano passado. Nos últimos 12 meses a variação foi de 5,26%, contra 5,22% registrados de janeiro a maio de 2009.

A meta do governo para a inflação em 2010 e 2011 é de 4,5%. Há, no entanto, um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Com isso, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.
"Esse ritmo é preocupante e está incompatível com a meta, anualizando isso dá inflação acima de 7%", explica o economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto. "Eu creio que não vá estourar o teto (da meta do governo, de 6,5%), mas vai ficar bem acima do centro da meta. Prevejo inflação de 5,5% em 2010, podendo até chegar a 6%", diz o economista, que estima que a alta dos preços volte a se estabilizar em níveis mais modestos apenas no ano que vem.

Unir as políticas
Na avaliação do professor de macroeconomia do Insper, José Luiz Rossi Junior, o governo já apresenta iniciativas positivas para segurar os preços, como o corte de cerca de R$ 10 bilhões no orçamento dos Ministérios e o aumento da taxa de juros, a Selic, mas precisa coordenar melhor as ações das políticas monetária e fiscal para garantir um controle mais efetivo.

"Eu diria que deve haver uma coordenação maior entre a parte fiscal e a parte monetária, para que não fiquem segurando a economia de um lado e estimulando por outro. O governo começa a elevar os juros, mas a oferta de crédito pelos bancos públicos e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) segue bem expansionista, por exemplo. Ninguém está falando que pare todos os estímulos, mas que se movam na mesma direção", diz.

O IPCA-15 é apurado com base na variação dos preços entre a segunda quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês corrente. Já o IPCA é resultado da variação de preços ao longo do mês inteiro (do dia 1º a dia 30).

Principais pressões
Segundo o IBGE, os preços de medicamentos e da energia elétrica ficaram entre as principais influências para o aumento da inflação de abril para maio.

Produtos farmacêuticos aceleraram a variação de 0,70 % para 2,14%, "em virtude do reajuste médio de 4,64% concedido a partir de 31 de março", segundo o Instituto. Já os preços da energia saíram de deflação de 0,46% em abril para alta dos preços de 1,29% em maio, motivados, segundo o IBGE, pela cobrança da Cosip (Contribuição para o Custeio da Iluminação Pública) implantada no Rio de Janeiro, a partir de 20 de abril.

Também foram verificados reajustes nas tarifas de energia elétrica em Fortaleza (5,50%) e Salvador (5,92%), ambas partir de 22 de abril num percentual de 5,89% e 6,74%, respectivamente.

Outras contribuições para o aumento do ritmo da inflação em maio: alta nos gastos com empregado doméstico (de 1,60% para 1,12%), automóvel novo (de -0,46 para 1,57%), aluguel (de 0,57% para 0,74%) e condomínio (de -0,60% para 1,18%).

Alimentos ainda pesam
Os preços dos alimentos subiram menos em maio, mas ainda representaram um peso para a inflação medida pelo IBGE: desaceleraram de de 1,71% para 1%, mas acumulam alta de 5,84% no ano.

Quatro itens importantes, segundo o IBGE, contribuíram para este resultado: feijão carioca (de 30,10% para 31,75%), leite pasteurizado (de 9,63% para 4,24%), refeição fora (de 0,75% para 0,95%) e carnes (de 1,24% para 1,61%). As principais quedas foram observadas nos seguintes itens: tomate (de 36,81 para -11,08%), frutas (de -0,92% para -2,59%) e pescados (de 2,62% para -3,79%).

Fonte: Globo.com (Com informações da Agência Estado)