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Ambientalistas
criticam Aldo Rebelo
Para ambientalistas, relatório é genérico
e equivocado.
18/05/2010 - Ambientalistas do país qualificaram o relatório
final de reforma do Código Florestal de genérico e
equivocado. O relatório deve ser apresentado oficialmente
em junho.
Duramente criticado, como uma organização "com
um histórico muito pouco recomendável", o Greenpeace
afirmou que o documento fará o país "retroagir
para antes de 1934", data da elaboração do Código
Florestal brasileiro. "Fiquei chocado com a entrevista",
disse Sérgio Leitão, diretor da ONG. "Ele [Rebelo]
não entende nada do assunto".
Segundo o ambientalista, há incoerências entre o discurso
do deputado e o relatório, agora, defendido por ele. A principal
delas refere-se à possibilidade de os Estados legislarem
em questões ambientais, uma permissão jurídica
que poderia colocar em perigo o já frágil equilíbrio
dos biomas brasileiros. Incoerência porque, de acordo com
Leitão, Rebelo teria dito textualmente ser contra a medida
durante reuniões com o Greenpeace, em audiências públicas
e em seminário do PCdoB. "É uma questão
muito simples: bioma respeita limite geográfico? Começo
a achar que ele está de má-fé nesse debate.
Acho que abandonou o passado de luta e passou pra motoserra".
O grande temor dos ambientalistas é que a falta de uma unidade
nacional acabe replicando a decisão de Santa Catarina no
resto do país. Recentemente, o Estado mudou sua legislação
ambiental e reduziu a área de mata ciliar de 30 metros, como
prega o Código federal, para cinco. Ana Cristina Barros,
representante no Brasil da The Nature Conservancy (TNC), acredita
que a descentralização seria positiva apenas se houver
um parâmetro federal. "Um 'baseline' que não tire
o poder da União", diz ela, tal como ocorre com a Saúde
e Educação.
Topos de morros e várzeas são áreas de proteção
permanente (APPs). Por funções ecológicas,
como evitar o assoreamento dos rios, devem permanecer intactas.
Mas as mudanças no Código consideram certas culturas
como consolidadas nessas regiões. Caso do arroz, que, de
acordo com Rebelo, tem 75% de sua produção em várzeas,
e da banana do Vale do Ribeira, também na ilegalidade. Para
os ruralistas, entraves como esse ameaçam a agricultura.
Para Leitão, culturas em APPs representam 1% da produção.
"Para saber o que são áreas consolidadas é
preciso fazer o georreferenciamento [o mapeamento por satélite
das propriedades rurais]", diz o deputado José Sarney
Filho, da Frente Parlamentar Ambientalista. "Não gosto
de frases genéricas. Não dá para saber o que
Rebelo está pensando".
"O momento é inoportuno para discutir reforma no Código
porque estamos às vésperas de uma eleição
que envolve interesses. Não há a isenção",
diz Sarney Filho. Para ele, tampouco é possível dizer
o que os candidatos à Presidência, Dilma Roussef e
José Serra, são favoráveis a ela, apesar do
apoio afirmado do Rebelo. "Até agora eles não
se expressaram, só a Marina [Silva]".
Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online
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