Instalação da Suzano em Minas vira novela

BRUNO PORTO.

23/04/2010 - As negociações entre o governo do Estado e a Suzano Papel e Celulose não avançaram e a novela quanto à instalação de um complexo agroindustrial no município de Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, continua. O secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Sergio Barroso, havia agendada uma visita a São Paulo para negociar com a empresa, porém o encontro não se concretizou depois de sinalizações da companhia de que o investimento, que poderia chegar a R$ 3,5 bilhões, permaneceria congelado.

A implantação de uma usina de celulose em Governador Valadares seria fundamental para aumentar a demanda por gás natural na região, o que possibilitaria a extensão do ramal do gasoduto Vale do Aço até o munícipio do Leste de Minas. A instalação de uma planta da Suzano em Valadares também seria uma forma de substituir o projeto da Aracruz Celulose. A empresa, que hoje pertence ao Grupo Votorantim, suspendeu o investimento de US$ 5 bilhões que seria realizado na construção de duas unidades fabris no município em função da crise econômica mundial.

Em julho de 2008, a Aracruz anunciou a intenção de investir em Governador Valadares. Na época, o grupo pretendia instalar no município do Vale do Rio Doce duas plantas, cada uma com capacidade de produção de 1,4 milhão de toneladas de celulose ao ano. Porém, em novembro daquele ano, a empresa decidiu adiar o aporte após amargar prejuízo de US$ 2 bilhões em função da crise financeira global.

Com a eclosão da crise, em setembro de 2008, o preço da celulose chegou a cair 33% em virtude da queda na demanda. No início deste exercício, a Votorantim Celulose (VCP) adquiriu 28,93% do capital votante da empresa por cerca de R$ 2,7 bilhões, logo após o Grupo Votorantim ser vendido para o Banco do Brasil por R$ 4,2 bilhões. O resultado do negócio, financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi a criação da maior empresa de celulose do mundo.

Cenibra - Enquanto permanece a indefinição quanto à entrada de uma nova empresa do setor em Valadares, a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra) vai retomar o investimento na expansão da capacidade instalada da planta de Belo Oriente, no Vale do Rio Doce, anunciado há quatro anos e postegardo em função da crise financeira global. Naquela época o aporte seria de US$ 1,2 bilhão, porém a empresa está reavaliando o projeto, que prevê a duplicação da produção atual de um 1,2 milhão de toneladas anuais de celulose, para pelo menos U$ 1,8 bilhão.

A implantação da terceira linha de produção da planta de Belo Oriente demandará cerca de três a quatro anos entre a reavaliação do investimento, compra de equipamentos e adequações necessárias na unidade fabril. Somente em 2010, a Cenibra investirá US$ 92 milhões em maquinário, plantio de eucaliptos de reflorestamento e outras ações.

Até 2014, a Cenibra investirá, ainda, cerca de US$ 400 milhões na base florestal. A empresa maneja atualmente uma área superior a 255 mil hectares, sendo 129 mil hectares de plantio de eucaliptos, 102 mil hectares em área de preservação permanente e reserva legal e 23 mil hectares no setor de infraestrutura.

Fonte: Diário do Comércio