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Desmate
do PAC equivale à metade de São Paulo
O governo autorizou o desmate de 730
km² para o avanço de suas obras
22/04/2010 - Empreendimentos do PAC, selo criado pelo governo federal
para agrupar ações de infraestrutura, já desmataram
de forma legal no país uma área equivalente à
metade do município de São Paulo. O Programa de Aceleração
do Crescimento foi criado em 2007. Desde então, o governo
autorizou o desmate de 730 km² para o avanço de suas
obras, segundo levantamento em cada uma das 155 autorizações
específicas para o programa expedidas pelo Ibama, órgão
do Ministério do Meio Ambiente.
O montante
desmatado nesses três anos inclui extensões na região
amazônica, mas também no cerrado e na caatinga, inclusive
em áreas de preservação permanente, como margens
de rios e topos de morros. São obras de recursos hídricos,
usinas hidrelétricas, ferrovias e rodovias, entre outras.
Cada uma dessas autorizações do Ibama traz uma série
de contrapartidas que, ao menos no papel, deveriam ser cumpridas
pelos responsáveis da obra, como o plantio de uma área
equivalente à devastada. Segundo a ministra Isabella Teixeira
(Meio Ambiente), o Ibama precisa ser fortalecido, e os licenciamentos
do órgão precisam ser tratados como algo estratégico
de governo, e não apenas da área ambiental.
Efeito
Outro agravante são as consequências desse desmatamento
legal, em especial em obras de pavimentação de rodovias
cercadas por florestas. Segundo o Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental
da Amazônia), 80% do desmatamento na região ocorre
num raio de 50 km das margens das estradas.
Na
agenda de prioridades do PAC está o asfaltamento da BR-319
(Porto Velho-Manaus), ainda não autorizado pelo Ibama. O
projeto provoca calafrios em ambientalistas, justamente por causa
do potencial desmatador que esse tipo de obra tem.
Para
André Lima, coordenador de políticas públicas
do Ipam, esse tipo de projeção do desmatamento deveria
ser levado em conta no momento das autorizações do
Ibama, assim como estimativas de emissão de gases-estufa
por conta do corte de árvores.
"O
Brasil tem uma meta [de redução de gases-estufa, causadores
do aquecimento global] e precisa monitorá-la por meio do
sistema de licenciamento. Não é correto licenciar
um volume de empreendimentos que pode estar acima do previsto na
meta brasileira", diz Lima. Desde janeiro de 2007, o desmate
legal do PAC equivale a 10% da derrubada de árvores na Amazônia
Legal entre agosto de 2009 e julho de 2010, quando, segundo o governo,
foram devastados 7.008 km².
Para
Adalberto Veríssimo, pesquisador da ONG Imazon (Instituto
do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), o sinal amarelo do
desmatamento está ligado. "A história mostra
que o desmatamento ocorre na sequência de obras de infraestrutura.
Agora, o governo diz que não vai acontecer, mas existe o
risco com essas obras do PAC", afirma. O pesquisador do Imazon
pondera: "Isso ainda não está acontecendo, mas
é muito cedo tanto para condenar quanto para absolver esse
modelo".
Fonte:
Folha Online/Adaptado por Celulose Online
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