Alta da celulose foi tema do Fórum Florestal

Os estoques mundiais em baixos níveis devem manter aquecidos os preços da celulose

15/04/2010 - Os estoques mundiais em baixos níveis e a demanda em alta devem manter aquecidos os preços da celulose no mercado internacional para este segundo trimestre. A projeção foi feita pela Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa) durante a segunda edição do Fórum Internacional do Agronegócio Florestal, que começou nesta quarta-feira (14).

O painel de abertura tratou das oportunidades de mercado no setor florestal. Representante da Bracelpa (Associação Brasileira de Celulose e Papel), a executiva Heloísa Dorea Barbosa, destacou a rápida recuperação do setor de celulose, um dos mais abalados pela crise em 2008 e 2009. A tonelada da celulose no mercado internacional vale hoje quase o dobro do que em abril do ano passado, passando de US$ 450 para US$ 840 no período. "Já há rumores de novos aumentos no segundo trimestre", observou Heloísa.

Os estoques mundiais em baixos níveis e a demanda em alta devem manter aquecidos os preços da celulose no mercado internacional para este segundo trimestre, projeta a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa). Em fevereiro, os estoques mundiais chegaram aos patamares mais baixos dos últimos cinco anos, batendo em apenas 27 dias. De acordo com a Bracelpa, alguns fatores contribuem para a continuidade desse quadro, como as paradas de manutenção previstas por indústrias brasileiras, os impactos causados na produção pelo terremoto do Chile e o inverno rigoroso na Escandinávia, que atrasou o corte da madeira. Por outro lado, a demanda segue em alta, projeta Heloísa.

O consumo de papel higiênico, principal produto feito com celulose de fibra curta (eucalipto) deve crescer 4% neste ano, na esteira da melhora do poder de compra em países em desenvolvimento, como China. Até 2025, mesmo com queda em alguns segmentos, como papel jornal, ameaçado pelas mídias eletrônicas, a previsão é de crescimento de 1,5% no consumo mundial de papel, explicou Heloísa.

Para fazer frente a essa demanda, o Brasil tende a ter papel chave. Atualmente com cerca de 6 milhões de hectares de florestas plantadas, o país pode dobrar essa área em 15 anos, projeta. Em palestra no Fórum, o consultor Jefferson Bueno Mendes, da Silviconsult, defendeu que parte desse aumento se dê com arranjos produtivos regionais, formando pequenos polos florestais, com bases a partir de 5 mil hectares. Esse modelo, alternativa para pequenos e médios produtores, deve ser aplicado especialmente em Estados com mercado agrícola já desenvolvido, onde a terra é mais cara, como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Espírito Santo. "A ideia é fazer o que o Uruguai está fazendo, formando clusters, com florestas não-verticalizadas e voltadas a múltiplos usos", compara.

Segundo Mendes, a existência de uma parceria público-privada para organizar esses polos e atrair indústrias de diferentes segmentos é fundamental. Os recursos para implantação de florestas já existem, por meio de programas como o Proflora e Pronaf. Já nos Estados com fronteiras agrícolas, a expansão da área de florestas se daria com projetos de grandes empresas.

Outra painelista no primeiro dia do evento foi a da representante do Inmetro, Maria Tereza Rezende, que explicou o Cerflor, programa de certificação de florestas com manejo sustentável no Brasil. Ela lembrou que atualmente, cerca de 1,4 milhões de hectares de florestas plantadas possuem a certificação no país. Completou a programação o presidente da Asiflor (Associação das Siderúrgicas para Fomento Florestal), João Câncio de Andrade Araújo.

Ainda nesta quarta, aconteceu a palestra magna com o representante da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da Rapública, Décio Gazzoni. Ele apresentou o Plano Nacional de Florestas Plantadas. Na solenidade de abertura, na noite desta quarta, o Governo do RS irá lançar o Programa Florestal do RS.

Ciclo de Palestras
Um ciclo de palestras voltados à produção florestal integrada abriu na quarta-feira (14/4) os debates técnicos do Fórum Internacional do Agronegócio Florestal, dentro dos eventos paralelos à 2ª Feira da Floresta, nos pavilhões da ExpoGramado, em Gramado (RS). Até agora, mais de 400 participantes estão inscritos para participar das discussões voltadas à produção na pequena propriedade e do 2º Fórum Internacional do Agronegócio Florestal, que reunirão 38 palestrantes. São esperados visitantes de diversos estados brasileiros, além de Paraguai, Argentina e Uruguai, que também registraram inscrições.

"Nosso objetivo é envolver questões relativas a toda a cadeia produtiva, desde o plantio, passando por questões de mercado, de produtos e inclusive questões legislativas ligadas à atividade", afirma Edson Tadeu Iede, presidente do Fórum.

Ainda na primeira palestra voltada a projetos florestais em propriedades familiares, o engenheiro agrônomo Moacir Sales Medrado, da MCA Consultores, defendeu um planejamento de negócio que leve em conta questões ambientais e financeiras. "Uma propriedade não é apenas para se ganhar dinheiro, ter lucro. Nem apenas para cuidar do meio ambiente. Eu posso ter um projeto que me dê muito lucro, mas que termine com os recursos naturais, ou o contrário. Mas isso não serve. É preciso equilíbrio", defende.

Para isso, Medrado propõe uma análise de diversas formas de produção disponíveis. Entre elas, o consórcio de silvicultura com plantios de milho ou soja, por meio de distanciamento de pelo menos 12 metros entre as linhas de árvores, ou com pecuária, com distanciamento de pelo menos 18 metros. O palestrante também abordou alternativas de silvicultura com não-madeirados como a pupunha, espécie de palmeira. Medrado relatou experiências de plantio de pupunha no Paraná e afirmou que se trata de uma opção também para algumas regiões gaúchas, especialmente o litoral. O representante da MCA Consultores voltará a palestrar amanhã e sexta pela manhã.

Também no Ciclo, a Emater/RS informou que dará início dentro de duas semanas a um projeto-piloto de orientação de agricultores familiares para obtenção da declaração de regularidade ambiental. As beneficiadas com a atividade serão 20 propriedades rurais de Canguçu (RS). Ao mesmo tempo, a entidade promete treinar 100 técnicos para orientar pequenos produtores a se adequarem e solicitarem a declaração, informou o engenheiro agrônomo Dirceu Slongo, da Emater/RS

A declaração de regularidade ambiental é um documento criado a partir de convênio entre Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e a Emater/RS, válido para propriedades com até quatro módulos fiscais e que começará a ser expedido neste ano. "A declaração é um processo anterior à licença de operação, serve como uma espécie de salvo-conduto, que permite acesso ao crédito e atesta regularidade, podendo evitar punições", explica Slongo.

O documento simplifica o processo de adequação das pequenas propriedades. Com ele, os pequenos produtores gaúchos não mais precisarão solicitar licenças ambientais para cada atividade que queiram desenvolver em suas propriedades, uma vez que o documento autoriza a propriedade para exercer determinadas atividades produtivas. O prazo para adequação será definido a partir de critérios como condição sócio-econômica da família e região da propriedade.

Fonte: Celulose Online