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Em
ano eleitoral, CNI lança agenda legislativa com 117 projetos
em foco
Do total de projetos, 20 deles estão enquadrados
na 'pauta mínima'.
CNI é contra redução da jornada e pede reforma
tributária.
Alexandro
Martello
Do G1, em Brasília
06/04/2010
- Em um ano eleitoral, geralmente marcado por menor atuação
dos parlamentares, a Confederação Nacional da Indústria
(CNI) lançou a 15ª edição da chamada "Agenda
Legislativa" com foco em 117 projetos.
O documento traz a posição da indústria sobre
projetos de interesse do setor que estão em tramitação
no Congresso Nacional. Segundo a entidade, 20 projetos são
mais importantes, uma vez que foram inseridos na "agenda mínima".
Calendário eleitoral
O presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, reconheceu que o calendário
eleitoral deverá ter impacto na produção do
Congresso Nacional neste ano, mas disse que é preciso assegurar,
pelo menos, a deliberação dos 20 projetos inseridos
na "pauta mínima", pois eles, em sua visão,
teriam "alto impacto" no ambiente de negócios e
no crescimento do país.
"Embora reconhecendo que o calendário político-eleitoral
reflete fortemente no calendário do Congresso, não
podemos correr o risco de uma situação paralisante.
O país precisa que o Congresso delibere projetos de maior
importância. É um ano legislativo atípico, curto,
mas a mensagem é que a produção legislativa
tem de garantir uma pauta mínima", disse ele a jornalistas.
O presidente da CNI disse ainda que a entidade "não
tem candidatos" nas eleições presidenciais. "Estaremos
interagindo com todos os candidatos e, qualquer que venha a ser
o vencedor, a CNI terá uma interlocução permante
e institucionalmente. É essa a posição que
nos cabe", declarou.
Pré-sal
Entre os projetos da "agenda mínima", estão
aqueles que tratam da exploração do petróleo
da camada pré-sal (grande profundidade), considerado prioritário
também pelo governo federal. Entretanto, a entidade critica
o que considera um "controle excessivo" da Petro-sal,
estatal que seria criada para gerir os contratos.
O poder de veto do presidente, de acordo com a CNI, geraria "grave
desequilíbrio" entre a capacidade de decisão
dos investidores e poderia, segundo informou, desestimular investimentos
privados. "Temos que encotnrar um modelo que estimule os investimentos
nessa área", disse Monteiro Neto.
A entidade também é contra a Petrobras ser a única
operadora na exploração dos blocos do pré-sal.
"Embora reconhecendo a competência da Petrobras e o papel
central que ela terá em qualquer que venha a ser o modelo,
preocupa-nos o fato de que o projeto pode apontar para uma certa
centralização e um demasiado encargo assumido por
ela", afirmou o presidente da CNI.
Agenda mínima
Outro projeto inserido na "agenda mínima" é
a redução da jornada de trabalho de 44 horas para
40 horas. A entidade diz ser contra esse projeto pois, em sua visão,
isso "desestimularia" a negociação entre
os "atores sociais". Monteiro Neto diz que o projeto aumentaria
o custo da hora trabalhada.
A entidade voltou a pedir, outra vez, a realização
da reforma tributária, que institui o Imposto Sobre Valor
Agregado (IVA), no lugar de vários tributos, além
de buscar o fim da "guerra fiscal" entre os estados (concessão
de benefícios para atrair investimentos). Há mais
de 15 anos, a reforma tributária é discutida sem sucesso
no Legislativo.
A CNI defende, ainda, a instituição do Cadastro Positivo,
ou seja, que permitiria uma consulta prévia sobre os débitos
já assumidos pelas pessoas e sua situação de
pagamento. Entretanto, é contra a imposição
de restrições na demissão de empregados.
A entidade também pede o fim da contribuição
patronal de 10% paga ao Instituto Nacional do Seguro Social, e defende
o aumento, de R$ 48 milhões para R$ 61,5 milhões,
no limite de enquadramento da receita bruta para as empresas poderem
optar pelo lucro presumido.
A CNI é a favor de maior transparência na lei de licitações
e pede, também, que seja possível aproveitar créditos
na aquisição de bens de capital (máquinas e
equipamentos). A Confederação diz, ainda, ser contra
a extinção do fator previdenciário e a favor
da reestruturação do Sistema Brasileiro de Defesa
da Concorrência (SBDC), com apoio à análise
prévia das fusões e aquisições.
Fonte:
Globo.com
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