Klabin planeja construir nova fábrica de celulose

A planta será destinada à produção de embalagens com escala e competitividade

30/03/2010 - Pensando em consolidar-se como produtora de embalagens com escala e competitividade globais, a Klabin planeja investimentos para viabilizar a construção de uma nova fábrica de celulose. O projeto desta fábrica integra com escala os negócios da Klabin e viabiliza a estratégia da empresa para o mercado de embalagens, é o que disse o diretor-geral da empresa Reinoldo Poernbacher, em entrevista ao jornal Valor Econômico.

A companhia, que em 2009 incorporou o mantra "o caixa é rei" e manteve apenas investimentos essenciais, soltou ligeiramente as rédeas neste ano. O executivo informa que planeja aporte de R$ 400 milhões em 2010, um aumento de 62% na comparação anual. Serão, em boa parte, projetos de curta maturação, como a modernização e otimização de linhas, os quais permitirão à Klabin ampliar marginalmente o volume de produção. Simultaneamente, almeja baixar o nível de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Lajida, para menos de 3 vezes até o fim do ano. "Nossa meta é no máximo 2 vezes no médio prazo".

Do lado financeiro, parte da lição de casa foi feita em 2009, quando o crédito escasso e as incertezas sobre os rumos da economia mundial forçaram empresas mundo afora a mais do que moderar investimentos. No caso da Klabin, os aportes recuaram para R$ 247 milhões, ante R$ 587 milhões investidos um ano antes. A disciplina nos gastos, associada à redução da dívida líquida e à geração de caixa praticamente estável, fez com que a alavancagem caísse de 5,1 vezes ao fim de 2008 para 3,4 vezes em dezembro. Hoje, no caixa, a empresa tem mais de R$ 2 bilhões, suficientes para o resgate do principal da dívida correspondente a mais de dois anos.

No início deste ano, condições de mercado melhores do que o esperado levaram a Klabin a revisar o orçamento anual. Poernbacher diz que até mesmo os R$ 400 milhões, que já contemplam projetos de retorno no curtíssimo prazo e não estavam anteriormente no radar, poderão ser superados.

O executivo cita como exemplo aportes adicionais de R$ 41 milhões na operação de papelão ondulado, cujas vendas no primeiro bimestre levaram a ABPO, entidade que representa o setor, a elevar as projeções para o desempenho em 2010. Inicialmente, a entidade trabalhava com expectativa de expansão das vendas em linha com a do Produto Interno Bruto (PIB), entre 5% e 6%. Neste mês, anunciou que aumentou a previsão de crescimento para até 8%. Com os novos investimentos, a Klabin elevará em 12 mil toneladas anuais a capacidade de produção de papelão ondulado - em 2009, as vendas de papelão da companhia totalizaram 457 mil toneladas.

A nova fábrica de celulose, que será instalada em município do Paraná ainda a ser definido, não deve entrar em operação antes de 2015 ou 2016 e tem por finalidade, inicialmente, alimentar uma futura linha de papel cartão, hoje principal produto da Klabin tanto em volume quanto em receita. A valores de hoje, não deverá custar menos de US$ 1,5 bilhão para uma capacidade instalada na faixa de 1,5 milhão de toneladas.

Fonte: Valor Econômico/Adaptado por Celulose Online