Indústria mineira mantém tendência de recuperação

11/03/2010 - A produção industrial de Minas Gerais também apresentou desempenho positivo na comparação de janeiro com dezembro do ano passado, com alta de 1,7%, na série com ajuste sazonal, conforme levantamento divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No país, o incremento foi de 1,1%, com expansão em 13 das 14 áreas pesquisadas.



Segundo o analista do IBGE Minas, Antônio Braz de Oliveira e Silva, os resultados do parque produtivo mineiro no primeiro mês deste ano colocaram a indústria do Estado no nível de dezembro de 2006, enquanto que o segmento no restante do país retornou aos patamares de novembro de 2007.

Ainda na série com ajuste sazonal, o índice de média móvel trimestral, ao registrar taxa de 0,2% entre dezembro e janeiro, completou seqüência de 11 resultados positivos, mas com perda de ritmo frente aos meses anteriores.

Embora os resultados de janeiro ante igual mês do ano passado (28,8%) e frente dezembro do ano anterior (1,7%) tenham sido de crescimento, o mesmo não aconteceu no acumulado dos últimos 12 meses, que apresentou recuo de 9,2%. A queda do Estado foi mais intensa do que a verificada para o país (-5%). "Nesse caso, há ainda os resquícios da crise, que fez com que a indústria tivesse resultado negativo em 2009", disse.

No ano passado, a produção industrial mineira registrou redução de 13,1% frente ao exercício anterior. Foi o maior recuo da série iniciada em 1991 e o segundo pior resultado do país entre as áreas pesquisadas. A retração só foi superada pelo Espírito Santo, com -14,6%.

A queda verificada em Minas Gerais foi maior do que a nacional no exercício passado (-7,4%) e se deve ao perfil da economia do Estado, marcado pelo predomínio da indústria de base. "Os setores exportadores foram os que mais sofreram com a crise", observou.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic) confirmam a análise de Silva. No total, as vendas mineiras, considerando todos os produtos comercializados com o exterior, despecaram em 2009. Foram US$ 19,518 bilhões, valor 20% menor do que o computado no ano anterior. O recuo também foi verificado no caso das importações, de 29,9%. O resultado gerou um saldo de US$ 12,16 bilhões, 49,4% da balança comercial nacional, que somou US$ 24,61 bilhões.

O analista do IBGE Minas ressaltou que, mesmo negativo no acumulado dos últimos 12 meses, o indicador da produção industrial nesse tipo de análise apresentou redução do ritmo de queda frente aos resultados de novembro (-16,3%) e de dezembro (-13,1%).

Conforme o IBGE, boa parte dos setores analisados registrou recuo no acumulado dos últimos 12 meses, com destaque em termos percentuais para produtos de metal (30,05%), excluindo máquinas e equipamentos. No caso de bens de capital o recuo foi 21,58%.

O segmento de metalurgia básica computou queda de 19,76% nesse tipo de comparação, assim como outros produtos químicos (-8,85%), têxtil (-9,77%), fumo (-6,96%), refino de petróleo e produção de álcool (-0,81%) e veículos automotores (-0,82%). A indústria extrativa também registrou queda na produção nos últimos 12 meses (-19,39%). Já os setores que apresentaram alta na produção foram os de alimentos (6,22%), bebidas (3,45%) e celulose, papel e produtos de papel (4,09%). (JG)

Fonte: Diário do Comércio