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ICMS
inviabiliza produção em Minas
Pesquisa revela que imposto é fator determinante
para aumentar ou diminuir os custos em cada Estado.
09/03/2010 - política tributária
do governo do Estado prejudica o setor produtivo mineiro e coloca
diversos segmentos da indústria de Minas Gerais em desvantagem
frente a outras unidades da Federação. O Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Prestação
de Serviços (ICMS) onera de forma excessiva a produção
e provoca, em alguns casos, a fuga de investimentos. Pesquisa sobre
o chamado "custo Brasil", divulgada pela Associação
Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos
(Abimaq), mostra que, e segundo o diretor regional da entidade,
Marcelo Veneroso, o ICMS é fator determinante para aumentar
ou diminuir o custo de produção em cada Estado.
De
acordo com o estudo, o "custo Brasil" - conjunto de variáveis
que compromete a competitividade e a eficiência da indústria
no país - aumenta em média 36,27% o preço do
produto brasileiro em relação aos fabricados na Alemanha
ou nos Estados Unidos. O levantamento levou em consideração
o impacto dos juros sobre o capital de giro, que no Brasil gera
um adicional de custo em média de 7,95% superior na comparação
com os concorrentes internacionais.
Também
foi avaliado o preço de insumos básicos utilizados
na produção, que no país é 18,57% maior
do que nas duas nações utilizadas como base de comparação.
Outros fatores que elevam os custos e que foram considerados na
pesquisa são: impostos não recuperáveis na
cadeia produtiva (2,98%), encargos sociais e trabalhistas (2,84%),
logística (1,9%), burocracia e custos de regulamentação
(0,36%), custos de investimentos (1,16%) e custos de energia (0,51%).
Em
Minas Gerais, o setor sucroalcooleiro é um dos que percebem
de forma mais clara os efeitos da incidência exagerada do
ICMS, no caso sobre o etanol produzido. Em Minas a alíquota
é de 25%, o mesmo percentual praticado sobre a gasolina.
A paridade das alíquotas compromete a competitividade do
produto fabricado em território mineiro.
O percentual
é mais do que o dobro dos 12% de São Paulo e bem acima
dos 18% do Paraná e dos 19% da Bahia, e ainda supera os 20%
de Goiás e 24% do Rio de Janeiro. Em Goiás, além
da tarifa menor, ainda foram concedidos inúmeros benefícios
fiscais e, por isso, o Estado deverá ultrapassar Minas na
produção de etanol.
No
caso do setor de máquinas e equipamentos, de acordo com o
presidente do Sindicato da Indústria Mecânica do Estado
de Minas Gerais (Sindmec), Petrônio Machado Zica, a taxação
excessiva de impostos na aquisição de matéria-prima
é o principal fator de desvantagem. "O Estado é
coerente em diminuir as alíquotas na fatura quando as empresas
perdem competitividade. No entanto, antes da redução
nas faturas, a empresa paga o imposto cheio para comprar a matéria-prima
da produção", afirmou.
De
acordo com ele, o governo deveria avaliar, no momento da desoneração,
todos os custos gerados pela cadeia produtiva e não se limitar
ao fato gerador do imposto, que é a venda. Outra questão
que inibe os investimentos em Minas Gerais neste setor é
a falta de benefícios para atrair empresas.
Petróleo
- No Rio de Janeiro, investimentos voltados para o setor de petróleo
e gás tiveram redução da tabela de ICMS. Os
especialistas salientam que esse tipo de benefício fiscal
não compromete a arrecadação, uma vez que as
empresas terão mais fluxo de caixa e farão a economia
girar, mas o recolhimento dos impostos por parte do governo não
seria imediato.
O setor
de bebidas também enfrenta a sobretaxa de ICMS, o que, de
acordo com o diretor do Sindicato das Indústrias de Cerveja
e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais (Sindbebidas), Marco
Antônio Falcone, impede o crescimento das empresas. "O
governo, ao invés de aumentar os impostos depois que a empresa
cresceu, impede o crescimento com tributos abusivos", disse.
A alíquota
do ICMS que incide sobre a venda de bebidas em Minas é de
18%. Em Santa Catarina, por exemplo, onde também existe uma
concentração de microcervejarias, é de 12%.
"Não existe fuga de investimentos no setor porque os
projetos são voltados para um público específico,
o que inviabiliza a migração", observou.
Para
o presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial
da Federação das Indústrias do Estado de Minas
Gerais (Fiemg), Lincoln Gonçalves Fernandes, o real valorizado
frente ao dólar é um custo adicional para o Estado,
que tem vocação para exportação. "A
questão cambial reduz a competitividade de todo o país.
Em Minas a situação pode ser pior pela representatividade
das exportações. Para alterar esta situação,
o governo deveria resolver o problema cambial na competitividade,
avaliando todos os outros pontos que prejudicam a indústria",
disse.
A energia
é outro fator que pode gerar a sobreposição
do "custo Minas Gerais" em relação ao "custo
Brasil". Neste caso, as altas tarifas de energia cobradas pela
Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) fazem os empreendimentos
mineiros perderem espaço tanto na disputa com outros estados
como com outros países, como ocorreu com a Votorantim Metais.
O diretor-superintende
da Votorantim Metais, João Bosco Silva, explicou na semana
passada que a fábrica de zinco da empresa foi instalada no
Peru e não em Minas Gerais, onde já ocorre a extração
do insumo, porque o preço da energia lá é a
metade do praticado aqui.
Fonte:
Diário do Comércio
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