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Sustentabilidade:
impermeabilizar para preservar
Entende-se por sustentabilidade aquilo que supre
as necessidades do presente
Por
Adilson Munin
04/03/2010
- Sustentabilidade: tema que atinge neste momento uma fase onde
o assunto deixa ser um modismo ou simplesmente explorado comercialmente
e passa a fazer parte de um cenário onde a preocupação
com segurança, meio ambiente, conforto e, principalmente
longevidade, se torna tão importante quanto o tamanho, a
localização, e o valor de um determinado empreendimento.
Como
toda mudança gera desconfiança e apreensão,
não será diferente neste caso. Porém, se voltarmos
um pouco na história, veremos que ocorreram mudanças
em diversos setores, produtos, normas e legislações,
que acarretaram quebra de paradigmas e conceitos e que hoje fazem
parte do cotidiano de cada um de nós e não mais conseguimos
conviver sem eles.
É
o caso da tão conhecida ISO 9000, que causou semelhante apreensão
inicialmente e apostas em seu desuso, mas que hoje em dia, aplicada
de forma correta, tem se tornado uma excelente ferramenta para manutenção
da qualidade, bem como para melhoria contínua de produtos,
processos e serviços.
Entende-se
por sustentabilidade aquilo que supre as necessidades do presente
sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras
atenderem a suas próprias necessidades (Nosso Futuro Comum,
Editora FGV). Sendo assim quando pensamos em sustentabilidade na
impermeabilização, certamente estaremos pensando não
somente na garantia do conforto e estanqueidade da obra, mas também
no impacto ambiental causado pela aplicação de determinado
produto, na longevidade do mesmo após aplicado, na preservação
da estrutura como um todo e também na destinação
final do mesmo quando da necessidade de sua remoção.
Dessa
forma, devemos assumir uma responsabilidade que vai além
simplesmente da garantia da estanqueidade, mas da responsabilidade
sobre o ciclo completo de vida do produto. Como disse Philip Kotler,
professor de Marketing Internacional da Kellog School of Management
na Northwestern University-USA, "os consumidores julgarão,
cada vez mais as companhias por seu desempenho com respeito ao uso
sábio e eficiente dos materiais e dos processos de produção".
A equação
é clara, a maioria das empresas ainda não despertou
ou não sabe como trabalhar essa nova exigência do mercado
consumidor, especialmente no Brasil onde 92% da população
se diz preocupada com as consequências das mudanças
climáticas.
De
um lado, consumidores exigentes e preocupados com as mudanças
climáticas do planeta. Do outro, empresas buscando inovação,
resultados positivos e novos mercados. Mas, na questão da
impermeabilização, qual a preocupação
que as indústrias, construtoras, engenheiros e aplicadores
devem ter em relação aos produtos e serviços
relacionados com a preservação das estruturas contra
a infiltração e vazamentos no aspecto da sustentabilidade?
1- Reconhecer a necessidade de mudanças, quebra de paradigmas
e conceitos pré-estabelecidos em relação ao
assunto.
2- Canalizar recursos para pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias
visando a melhoria de produtos e processos para o atendimento das
novas solicitações.
3- Estabelecer um planejamento a curto, médio e a longo prazo
com o objetivo de envolver todo o ciclo de vida do produto.
4- Avaliar as possibilidades para uma maior utilização
de insumos reciclados e recicláveis.
5- Diminuir a produção de itens à base de solventes,
preferindo os produtos à base d'água, alto sólidos
e até mesmo os híbridos.
6- Aperfeiçoar as tecnologias para utilização
dos produtos pré-fabricados ou pré-moldados com o
objetivo de viabilizar a sua utilização de forma mais
ampla.
7- Buscar por fornecedores cada vez mais próximos às
instalações industriais.
8- Dar preferência às especificações
voltadas à sustentabilidade.
9- A rotulagem dos produtos deve conter todas as informações
necessárias com relação ao produto, isto é,
o consumidor deve ser informado e ter a possibilidade de escolha
pelo melhor produto.
10- Implementar a ecoeficiência como paradigma de atuação.
Os
produtos destinados à impermeabilização em
sua grande maioria são derivados de fontes oriundas do petróleo,
como o asfalto, solventes, polímeros e aditivos e também
de recursos esgotáveis como água e madeira e, certamente,
estes mesmos produtos ainda serão por muito tempo produzidos
através destas fontes. No entanto, cabe à indústria
e ao formulador a consciência na utilização
destes recursos através do aperfeiçoamento de tecnologias
visando cada vez mais a diminuição da agressão
à natureza e ao próprio ser humano.
Outro
aspecto de igual importância e preocupação está
na redução das emissões dos compostos orgânicos
voláteis (COV), pois tais emissões são responsáveis
de forma direta pela agressão à camada de ozônio.
Podemos dizer que o setor de impermeabilização já
possui uma vantagem com relação ao tema sustentabilidade,
pois numa simples reflexão concluímos que a impermeabilização
é proteção e, proteção contra
degradação, portanto, a sustentabilidade já
é uma característica inerente do processo, embora
talvez ainda não tenhamos parado para pensar sobre este ponto
de vista.
Neste
aspecto sentimos que estamos um passo à frente de muitos
segmentos, porém, ainda nos falta uma longa jornada para
que um dia possamos olhar para um determinado produto e conhecer
todo o seu ciclo de vida, podendo até prever o seu reúso
ou reciclagem, motivo pelo qual o empenho, dedicação
e sentimento de preservação do meio ambiente devem
nos impulsionar a alcançar estes objetivos para que o setor
possa colaborar na melhora da qualidade de vida em nosso planeta.
*
Adilson Munin é Técnico responsável pelo setor
de Pesquisa e
Desenvolvimento na Unidade de Asfaltos da Viapol, especializada
em soluções
para a impermeabilização e proteção
das obras da construção civil.
Fonte:
Celulose Online
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