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Conjuntura
externa é favorável à Cenibra
Estoques
baixos e valorização
24/02/2010 - Depois da redução do preço da
celulose no auge do desaquecimento da economia, que chegou ao patamar
de US$ 400 a tonelada no ano passado, os preços do insumo
estão próximos do patamar pré-crise, entre
US$ 870 e US$ 880, o que deve impactar positivamente no faturamento
da Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), instalada em Belo Oriente,
durante o exercício corrente, segundo o presidente da empresa,
Fernando Henrique Fonseca.
DIVULGAÇÃO/CENIBRA

Cenibra: ganhos na receita com aumento das
importações chinesas e recuperação no
preço da celulose.
De acordo com ele, a empresa aumentou de US$ 25 a US$ 30 o valor
do preço da tonelada do produto em janeiro. "Na verdade,
não chega a ser um aumento, mas recuperação
de preço, que começou em setembro do ano passado,
depois de um ano praticamente marcado pelos preços baixos",
afirmou.
Fonseca
disse que os estoques mundiais de celulose ainda estão baixos
e que o mercado está comprador, porém é preciso
cautela no que se refere aos reajustes. "Vale lembrar que a
Europa passa por um momento complicado, com perda da credibilidade
de vários governos. E o governo norte-americano está
endividado", disse.
O mercado
internacional é fundamental para os negócios da companhia,
que vende para o exterior em torno de 93% da produção.
Com a crise, o presidente da empresa ressaltou que houve uma mudança
no perfil dos clientes da Cenibra. "Antes da eclosão
da crise, a China respondia de 12% a 15% das exportações
da empresa. Hoje, está na casa dos 30%, 31%", observou.
De
acordo com ele, enquanto a China ganhou participação,
Europa e Estados Unidos perderam espaço nas vendas externas
da empresa. "O continente europeu antes detinha 35%, agora
está no patamar de 20%. Os Estados Unidos passaram de 20%
para atuais 10%. O fato é que a China vem substituindo os
grandes mercados, antes tradicionais", disse.
Para
Fonseca, é possível que haja mais aumentos no preço
da celulose neste ano. Entretanto, mesmo que ocorram, eles não
devem ser expressivos. "No momento, não há margem
para isto. Afinal, dependemos do mercado, se ele vai aceitar",
analisou.
Além
do desempenho do mercado internacional, o câmbio é
importante no resultado da empresa. "Ao que tudo indica, neste
ano teremos um desempenho melhor do que o verificado em 2009. A
perspectiva é otimista. A única incógnita é
o comportamento da moeda norte-americana", ressaltou.
Para
ele, pior do que o dólar abaixo dos R$ 2 são as oscilações
bruscas da moeda, o que dificulta o planejamento e a definição
de preços. "Se a moeda norte-americana variar entre
R$ 1,80 e R$ 1,90 não vejo grandes problemas. Pior mesmo
foi quando a moeda chegou na casa dos R$ 1,65", disse. Fonseca
afirmou que do dólar de equilíbrio varia de R$ 2 a
R$ 2,20.
De acordo com Fonseca, a quantidade comercializada pela Cenibra,
no ano passado, registrou incremento em torno de 5% frente 2008.
"O problema não foi quantidade, mas preço. O
segmento, que é altamente formador de caixa, assistiu a uma
queda assustadora nos preços durante quase todo o ano passado.
Agora, as empresas do setor estão voltando a ter rentabilidade".
DULGAÇÃO/CENIBRA

Fonseca: reflexos da recuperação do preço
internacional da polpa de celulose.
O aumento do preço da celulose e o dólar cotado entre
R$ 1,80 e R$ 1,90, apontou o executivo, podem garantir uma expansão
do faturamento do mercado de 10% a 12% neste ano, percentuais que
a Cenibra pode acompanhar. Em 2009, a receita bruta da Celulose
Nipo-Brasileiro caiu ante o ano anterior. Ele estima que o recuo
tenha oscilado entre 6% e 8%. "Agora, é importante ressaltar
que interfere no resultado o sistema contábil utilizado",
disse.
No
que se refere à produção de janeiro, ele estima
que tenha ficado num patamar semelhante do primeiro mês de
2009. "Estamos operando à plena capacidade", disse.
Para 2010, a perspectiva inicial é de incremento na casa
dos 5%. A produção média anual é de
1,2 milhão de toneladas.
Exportações
- No primeiro mês do ano, conforme dados do Ministério
de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(Mdic), as vendas externas da Cenibra, que foi a sétima maior
exportadora do Estado, registraram alta de 32,93% frente igual mês
de 2009. Foram US$ 41,018 milhões comercializados fora do
país, contra US$ 30,856 milhões de janeiro do exercício
passado. A participação na pauta mineira também
cresceu, passando de 2,17% para 2,78%.
O resultado
de janeiro deste ano foi bem diferente do acumulado de 2009, quando
os embarques tiveram recuo de 35,19%. As exportações
garantiram à Cenibra US$ 395,239 milhões no ano passado,
contra US$ 609,842 milhões em 2008. Ainda assim, a companhia
continuou ocupando a sétima posição entre as
grandes empresas que comercializam com o mercado internacional a
partir de Minas. Naquele ano, a participação na pauta
caiu, saindo de 2,50% em 2008 para 2,02% no exercício seguinte.
O desempenho
das exportações da empresa no ano passado acompanhou
o resultado negativo da média do Estado, porém de
forma ainda mais intensa. Conforme o Mdic, a retração
das vendas das empresas mineiras foi de 20,05% no ano passado ante
2008.
Para
este ano, a empresa vai investir desde equipamentos, passando pelo
plantio, entre outras ações, em torno de US$ 92 milhões.
A Cenibra possui plano de investimentos que vai até o começo
de 2014, de cerca de US$ 1,8 bilhão, que incluem a construção
da terceira linha de produção em Belo Oriente e o
plantio de eucaliptos. Na base florestal, a previsão é
que as inversões somem US$ 400 milhões. A expectativa
é que, dois anos antes dos eucaliptos serem cortados, seja
iniciada a produção da nova unidade.
Fonte: Diário do Comércio
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