Elizabeth de Carvalhaes: a competitividade do setor de C&P brasileiro - Presidente da Bracelpa

01/02/2010 - Segundo estimativas da Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), em plena crise, a produção de celulose no Brasil cresceu 6% em 2009, em relação a 2008, totalizando 13,4 milhões de toneladas. As exportações da fibra, no mesmo período, registraram aumento de 16,9%. Esses resultados indicam que, apesar dos efeitos da crise financeira internacional, os produtos brasileiros desse setor mostraram-se competitivos em relação a seus principais concorrentes globais.

Para Elizabeth de Carvalhaes, presidente da entidade, o setor de celulose atuou em um cenário econômico adverso, o que fez as empresas reinventarem suas rotas.

O que estas companhias acreditam é que só será possível falar em pós-crise em 2011. Enquanto isso, os gestores já têm estratégias nas mãos para impulsionar o setor.

Celulose Online: Quais os motivos que levaram o Brasil a obter um crescimento de 6% em 2009 em sua produção de celulose?
Elizabeth de Carvalhaes
: O setor de celulose e papel demonstrou sua competitividade em 2009 ao trabalhar em um cenário econômico adverso, marcado pela redução da demanda nos principais mercados, queda de preços da celulose e câmbio desfavorável às exportações. Um dos fatores importantes para esse resultado foi o crescimento da demanda da China, que aumentou em 127,3% o volume de compras em relação a 2008. No ano passado, a China se tornou o segundo mercado para as exportações brasileiras de celulose, com 33% do total das vendas externas, superando a América do Norte, que agora recebe 16% do total de exportações de celulose do Brasil. Outro fator que favoreceu o crescimento da produção foi o fechamento de fábricas de tradicionais produtores no Hemisfério Norte. Com essa redução da capacidade, o Brasil pode negociar seus produtos em mercados que ficaram desatendidos.

Celulose Online: Diante destes dados podemos afirmar que o Brasil caminha para disputar um lugar com a China no cenário mundial?
Elizabeth de Carvalhaes:
O setor almeja esse posto em relação à produção de celulose, que será resultado de um trabalho de longo prazo, envolvendo investimentos e aumento da capacidade de produção do setor.

Celulose Online: Durante a crise muitas empresas deixaram de lado alguns projetos, como a Fibria e CMPC. O que esperar para os próximos anos quanto ao investimento no setor?
Elizabeth de Carvalhaes:
Para as empresas do setor de celulose e papel, só será possível falar em pós-crise em 2011. Este ano, sem dúvida, tende a ser melhor do que 2009, mas as empresas ainda sofrem os efeitos da falta de liquidez que marcou o ano passado. Em 2010, começará a retomada de parte do portfolio de investimentos, principalmente em relação à base florestal, mas não há um cronograma estabelecido. Porém, para que esses investimentos ocorram, o governo federal precisa se manifestar em relação a duas questões fundamentais para o setor: a desoneração dos investimentos e os créditos de ICMS das exportações. Essas questões serão essenciais para determinar o ritmo dos projetos do setor.

Celulose Online: A produção de embalagens apresentou crescimento significativo nos últimos meses de 2009. O que esperar para este setor em 2010?
Elizabeth de Carvalhaes:
A produção de embalagens está diretamente associada ao crescimento do consumo. Como os indicadores econômicos apontam que o consumo deverá crescer, estamos bastante otimistas em relação aos resultados desse segmento, que começou a se recuperar no segundo semestre do ano passado.

Celulose Online: Só nos primeiros 21 dias de janeiro, foram movimentadas 76.686 toneladas de carga do Porto Novo do Rio Grande, superando em 19,14% a movimentação no mesmo período de 2009, que foi de 64.365 toneladas. Este já pode ser considerado um reflexo de aumento de demanda de celulose?
Elizabeth de Carvalhaes:
Com certeza é um sinal importante. Mas é preciso lembrar que o mês de janeiro de 2009 foi atípico, pois foi o período que o setor mais sofreu com os fortes impactos da crise financeira internacional.

Celulose Online: O governo federal poderá incluir a compra de cadernos no Programa Nacional do Livro Didático (PNLD). Como ficará a demanda de aumento por papéis de imprimir e escrever se isto for aprovado pelo governo?
Elizabeth de Carvalhaes:
A proposta que a Bracelpa apresentou ao governo federal prevê a distribuição de 50 milhões de cadernos aos estudantes da rede pública. Isso equivale a uma adição de 20 a 23 mil toneladas de papéis para imprimir e escrever.

Fonte: Celulose Online (Por Valter Jossi Wagner)