Fipe prevê inflação de até 5% em 2010 por dólar e alimentos mais caros

GIULIANA VALLONE
da Folha Online

02/02/2010 - O reajuste de 17% nas tarifas de ônibus na cidade de São Paulo e as chuvas excessivas fizeram a inflação para o paulistano atingir o maior nível desde 2003 em janeiro. "Tivemos uma arrancada mais forte do que o esperado em janeiro", afirmou o coordenador do IPC-Fipe, Antônio Evaldo Comune.

A previsão para o ano da Fipe divulgada em janeiro era de 4,5%, mas, de acordo com o coordenador, há um viés de alta para o número. "O dólar está subindo e se essa alta se sustentar, nós já estaremos [com uma inflação] acima de 4,5% ao ano", comentou Comune.

Para ele, a alta no ano pode ficar em até 5%, dependendo do comportamento da moeda norte-americana. "A cada 10% de aumento do dólar, nós temos 1% a mais de inflação', explicou.

A taxa de câmbio é o pivô de um dos vários reajustes que puxaram os preços em janeiro. Nesse mês, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) calculado pela Fipe teve alta de 1,34%. A expectativa para o índice no mês passado era de 1,01%.
Além dos aumentos nas tarifas de ônibus e no preço do álcool combustível (responsáveis por uma alta de 0,72 ponto percentual), tiveram influência positiva para o IPC no mês o preço dos alimentos e os reajustes das mensalidades escolares -- comuns no primeiro mês do ano.

Os preços de alimentação tiveram alta de 1,52% em janeiro (contrinuição de 0,34 ponto percentual no índice geral), puxados por pelo incremento no preço dos produtos in natura (4,44%) e ainda de carnes e arroz. De acordo com Comune, o aumento nos preços dos dois últimos itens foi influenciado pela elevação do dólar no período.

"Se subir o dólar, por que a gente paga mais pelo arroz? Porque o produtor quer vender o produto lá fora para ganhar mais", explicou. Além desse fator, as fortes chuvas em janeiro prejudicaram as colheitas e ajudaram na alta dos preços dos alimentos.
O grupo educação teve alta de 4,42% em janeiro, puxado por um aumento de 5,05% nos custos das mensalidades escolares.

Fevereiro
A previsão da Fipe é de que a inflação caia pela metade em fevereiro, fechando o mês em torno de 0,60%. Isso porque os efeitos do aumento de ônibus e preços de educação já terão passado.

Os responsáveis pela elevação de preços neste mês devem ser os alimentos, com alta de 0,90%, e a habitação, com aumento de 0,38% (ante 0,15%) no mês. Este último grupo será influenciado pelo aumento do IPTU, que começa a ser pago em fevereiro, e por uma elevação de 0,18% nos preços de energia elétrica.

"A alimentação saiu muito forte [no começo do ano] e isso vai persistir em fevereiro, devido às chuvas em excesso", afirmou Comune, que citou ainda o reajuste nas tarifas do metrô, que também entram em vigor neste mês.

O coordenador do índice ressaltou, porém, que as elevações de janeiro e fevereiro não serão a tendência do ano. "De março em diante deveremos ter um índice de 0,3% ou menos, dependendo do dólar", disse.

Fonte: Folha Online