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Fila
de espera para licenças ambientais
19/01/2010
- A burocracia no País tem impedido a construção
de usinas hidrelétricas que, juntas, representam mais de
duas vezes a capacidade de geração de energia da Hidrelétrica
de Itaipu, a maior do mundo em operação. Levantamento
feito pelo Estado com base nos dados do sistema de licenciamento
ambiental federal mostra que mais de 30% dos processos registrados
ainda não receberam sequer a primeira das três licenças
exigidas para funcionamento.
A lista
inclui desde processos polêmicos, como o da Usina de Belo
Monte, até casos mais simples, que aguardam na fila desde
2001. Existem 24 processos para concessão de licenciamento
no sistema do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis (Ibama) que foram abertos entre 2001
e 2008. Incluindo os processos que começaram a tramitar em
2009, esse número sobe para 31, ou 37,8% do total.
Se
essas usinas fossem construídas, aumentariam em 33,44 mil
megawatts (MW) o potencial de geração de energia elétrica
brasileiro. Itaipu, a maior usina em operação, tem
capacidade de produção de 14 mil MW.
A demora
na liberação das licenças tem gerado prejuízos
concretos. No início de dezembro, o Ministério de
Minas e Energia foi forçado a cancelar um leilão porque
nenhuma das sete hidrelétricas que seriam oferecidas conseguiu
obter a licença prévia do Ibama. Desde o anúncio
do cancelamento do leilão, apenas uma foi emitida.
O ministro
de Minas e Energia, Edison Lobão, argumenta que é
preciso ter "limites" em relação aos cuidados
ambientais exigidos pelos órgãos responsáveis
para evitar efeitos econômicos. "Há um certo número
de cuidados do Meio Ambiente que acabam prejudicando. Nenhum de
nós deseja que o Brasil se transforme em um país descuidado
com seu meio ambiente, mas não podemos frear o crescimento
nacional", afirma o ministro.
O próprio
Ibama reconhece sua parcela de culpa na demora da análise
dos processos. "Vamos começar com o mea-culpa. Existem
ainda aqui, apesar de alguma evolução, sérios
problemas de procedimento", afirma Pedro Alberto Bignelli,
diretor de Licenciamento Ambiental do instituto. "Se temos
dez pessoas recepcionando os estudos, são dez recepções
diferentes. O check list (checagem de documentos) não é
normatizado, cada um faz de um jeito", admite.
Os
técnicos também tendem a ter um excesso de cautela
na análise dos documentos porque o Ministério Público
tem acionado diretamente os servidores que assinam os papéis
- e não o Ibama. "Temos atualmente 70 procedimentos
do Ministério Público diretamente contra servidores
e isso causa um receio de tomada de posição do técnico;
a cautela é naturalmente ampliada", explica Bignelli.
Fonte:
Estado de SP. Adaptado por Celulose Online
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