Chilenas voltam a investir no Brasil

14/01/2010 - O esqueleto do Costanera Center assombrou os chilenos com a perspectiva de que tempos ruins na economia estariam por vir. A construção do complexo reunindo um prédio de escritórios e um shopping center foi interrompida em janeiro passado pelo grupo Cencosud, o maior varejista do país: o projeto de US$ 600 milhões teria de parar até que as "incertezas da crise se dissipassem".

Sobre o prédio vazio, a placa dizendo "Ícone do Desenvolvimento Latino-americano" parecia fazer piada sobre a desgraça de toda a região. Entretanto esse cenário sombrio parece ter ficado para trás. O Cencosud reiniciou as obras há três semanas. Outros grandes grupos chilenos vêm anunciando a retomada de investimentos, num movimento que deve beneficiar o Brasil.

A CMPC, grupo florestal e papeleiro, disse que investirá US$ 400 milhões neste ano em suas operações distribuídas por Chile, Brasil, México e Colômbia. Gonzalo García, secretário-geral da CMPC, não deu detalhes sobre quanto seria investido no Brasil, mas afirmou que a operação em Guaíba é uma das prioridades da companhia em 2010.

No segundo semestre do ano passado, a empresa comprou as operações da Aracruz em Guaíba, no Rio Grande do Sul, por US$ 1,6 bilhão. Com isso, reforçou sua presença no mercado do país, depois de ter adquirido em abril os ativos de papel da Melhoramentos.

"Concluímos importantes projetos de internacionalização. Vamos nos focar na integração desses projetos. Guaíba, no Brasil, nos é muito importante para o aumento da capacidade em nível regional", disse García.

A consultoria Euromonitor Internacional avalia que o mercado interno chileno deve se recuperar bem neste ano. Hoje, os chilenos já são os que mais gastam em roupa na América Latina: cerca de US$ 346 por ano. Em segundo lugar, vem a Argentina, com US$ 245 ao ano.

O Brasil tornou-se o segundo principal destino dos investimentos chilenos no exterior, com um volume superior a R$ 13,7 bilhões (US$ 8 bilhões) desde 1990, ficando atrás apenas da Argentina, segundo dados da Câmara de Comércio de Santiago.

A câmara diz que há uma tendência de o Brasil superar a Argentina nos próximos anos, já que os investimentos chilenos no país vizinho vêm diminuindo. Do total de investimentos externos do Chile, 97% estão na América Latina; 1% nos EUA; 1% na Europa; e 1% na Ásia.

Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online