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Crédito
de carbono pode ser rentável para o setor
18/12/2009
- O reconhecimento pelo Protocolo de Kyoto dos créditos de
carbono gerados por florestas plantadas e naturais pode garantir
ao setor de papel e celulose um novo nicho de mercado altamente
rentável. Negociado por entidades e indústrias brasileiras
na 15ª Conferência das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (COP 15), que termina hoje, em
Copenhague (Dinamarca), a proposta pode valorizar em cinco vezes
a tonelada de carbono absorvido, passando dos atuais US$ 4 para
sonhados US$ 20.
"Será
um bom negócio e acreditamos nessa conquista", afirma
Luiz Cornacchioni, diretor de Relações Institucionais
da Suzano Papel e Celulose. "Além do aumento do valor,
também teremos liquidez e atratividade para essas operações".
Segundo ele, a Suzano negocia, atualmente, cerca de 100 mil toneladas
de carbono. "A demanda hoje é pequena justamente por
causa das atuais definições do Protocolo de Kyoto",
ressalta.
O projeto
do setor, apresentado na COP 15 pela Associação Brasileira
de Celulose e Papel (Bracelpa) e representantes das indústrias,
defende a eliminação das restrições
que impedem a comercialização na União Europeia
- o principal mercado de carbono. Atualmente, os créditos
de carbono são negociados no chamado mercado voluntário,
representado pela Bolsa do Clima de Chicago (CCX).
Para
a Bracelpa, a comercialização de créditos de
carbono florestais é uma oportunidade para o País
atrair capital e novos investimentos. "Para isso, é
fundamental mudar o posicionamento da União Europeia, que
não considera esses créditos como elegíveis
para compensar a emissão de poluentes", afirma Elizabeth
de Carvalhaes, presidente executiva da entidade. "As florestas
plantadas do setor de celulose e papel absorvem anualmente 64 milhões
de toneladas de CO2, enquanto os processos de manufatura emitem
21 milhões de toneladas de CO2. É uma contribuição
expressiva ao clima, que posiciona o setor como credor ambiental
nas negociações climáticas", defende Elizabeth.
O texto
atual do Protocolo de Kyoto, no qual se baseiam as políticas
da UE, afirma que florestas estão sujeitas a eventos da natureza
- queimadas, temporais, inundações, e outras situações
classificadas como "casos fortuitos". Por isso, não
há como garantir o estoque de carbono que elas formam ao
longo do tempo.
Além
disso, outro termo de Kyoto contrário às florestas
plantadas é o conceito de "estoque temporário
de carbono". Segundo o documento, todo o carbono acumulado
nas florestas plantadas retorna à natureza quando elas são
colhidas, transformadas em madeira para aplicações
diversas e em outros subprodutos. O setor questiona esse conceito
de "temporalidade" e defende que ele não se aplica
no caso das florestas plantadas para fins industriais: o ciclo de
absorção de CO2 nunca é interrompido, pois,
assim que uma árvore é colhida, outra é plantada
no mesmo lugar.
As
propostas se concentram no aprimoramento dos Mecanismos de Desenvolvimento
Limpo (MDL), que é uma das principais formas de se gerar
créditos de carbono. É no âmbito do MDL que
as empresas de papel e celulose desenvolvem seus projetos de crédito
de carbono. Além da Suzano, Klabin, Fibria, International
Paper e Cenibra estão inseridas nesse contexto.
As
operações florestais da Cenibra abrangem os estados
do Espírito Santo e Minas Gerais, com aproximadamente 150
mil hectares de plantio de eucalipto, intercalados com cerca de
50 mil hectares de reservas nativas. Já a International Paper
mantém 102 mil hectares de florestas no interior de São
Paulo, sendo 24 mil hectares dedicados à conservação
de biodiversidade e matas nativas e mais 72 mil hectares destinados
ao cultivo de eucalipto, que retêm cerca de 10 milhões
de toneladas de CO2.
Apesar
de apostar no crescimento das negociações envolvendo
créditos de carbono, o consultor de Mudanças Climáticas
da MGM, Stefan David, afirma que ainda não é possível
definir exatamente qual será o valor das reduções
de gases estufa no mercado mundial. A questão é como
vai atuar a oferta e a demanda e isso vai impactar nos preços.
Entretanto, o consultor acredita que o preço do crédito
não deverá cair abaixo do patamar atual de 10 euros
por tonelada de carbono.
A expectativa
na COP 15 é que uma revisão do Protocolo gere novas
ferramentas e metodologias para o MDL. "A proposta da Bracelpa
pode gerar um novo produto no mercado de carbono, possivelmente
com características bem diferentes de tudo o que já
se viu até agora", diz Elizabeth.
Fonte:
Jornal DCI
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