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Desafio
climático preocupa o setor produtivo
09/12/2009
- O desafio climático preocupa o setor produtivo não
apenas pelos impactos nas fontes de matéria-prima, pela insegurança
das populações ou pela urgência de altos investimentos
para aumentar a eficiência energética e mudar padrões
de produção e consumo. "Medidas unilaterais para
reduzir gases do efeito estufa, tomadas internamente por países
industrializados, podem criar barreiras ao comércio internacional
e afetar a competitividade das empresas, principalmente nos países
emergentes", afirma Welber Barral, secretário do Ministério
do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior
(MDIC). Ele adverte: "É preciso promover o desenvolvimento
sustentável, mas também garantir as regras do livre
comércio".
O sinal
de alerta vem dos Estados Unidos, responsáveis por 25% das
emissões de carbono do planeta e que se preparam para aderir
ao esforço global contra o aquecimento a partir de uma legislação
polêmica, em análise no Senado. O objetivo é
diminuir os gases em 80% até 2050. A proposta, conhecida
como Lei de Energia Limpa e Segurança dos EUA, estabelece
limites para o carbono e mecanismos que permitem negociar no mercado
licenças para emissões, dentro da modalidade "cap-and-trade",
com a perspectiva de movimentar US$ 10 trilhões nas próximas
quatro décadas - modelo visto como subsídio.
Motivo
maior de apreensão é que, para garantir empregos e
compensar o custo das indústrias americanas com as melhorias
ambientais, a política em debate restringe a importação
de mercadorias originárias de países que não
cumprem metas obrigatórias do Protocolo de Kyoto para cortar
poluentes. No caso da siderurgia, por exemplo, a nova legislação
propõe uma redução interna de 17% nas emissões,
desde que o aço importado pelos Estados Unidos tenha as mesmas
condições de baixo carbono.
Nos
preparativos da COP-15, a Conferência das Nações
Unidas sobre Clima, a União Europeia acenou com a mesma estratégia
"compensatória", que também objetiva evitar
o chamado "vazamento de carbono" - ou seja, o êxodo
de investimentos para regiões com regras frouxas, o que dificulta
a redução global de gases. "O conflito pode aumentar
a tensão nas negociações climáticas,
atuais e futuras", lamenta Barral. "A questão do
clima é um ótimo pretexto, um disfarce para impor
barreiras protecionistas, não tarifárias e até
tarifárias", concorda Antonio Josino Meirelles, analista
de negociações internacionais da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). A ameaça, em sua opinião,
é perceptível na reação dos países
ricos com suas políticas domésticas e poderá
ganhar força se a reunião de Copenhague não
definir o aspecto comercial das emissões. "Espera-se
que as nações industrializadas reconheçam os
compromissos voluntários dos países em desenvolvimento",
diz Meirelles.
Setores
com uso intensivo de energia, como siderurgia, mineração,
construção civil, alumínio e petroquímica,
além das atividades de base florestal, são os mais
vulneráveis a taxações e outras medidas restritivas.
"É necessário criar um marco regulatório
para o clima, capaz de pautar as relações comerciais
e evitar que os países adotem políticas unilaterais
com subsídios e outras ações protecionistas",
ressalta Elizabeth de Carvalhaes, presidente executiva da Associação
Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), setor que tem os Estados
Unidos como terceiro maior importador. Para Elizabeth, "não
podemos distorcer e contaminar os mercados em nome do clima",conclui.
Fonte:
Valor Econômico.Adaptado por Celulose Online
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