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Indústria
papeleira avalia ações contra importados
07/12/2009
- A indústria papeleira nacional poderá pedir a abertura
de pelo menos dois processos antidumping contra empresas asiáticas,
americanas e europeias, embasada em "fortes indícios"
de concorrência predatória nos segmentos de papel revestido
de baixa gramatura (LWC) e de papéis especiais, como os utilizados
para filtros de automóveis. Os desembarques de outros tipos
de papel também estão sob o olhar atento do setor,
que acompanha de perto o desenrolar de ações similares
abertas na Argentina, Estados Unidos e Europa contra produtores
da China e da Indonésia.
No
segmento de papel LWC, utilizado para impressões gráficas,
a ação pode ser movida contra empresas sediadas na
China, Estados Unidos, Suíça e Suécia. As investigações
conduzidas até o momento, que têm o apoio da Associação
Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa), teriam mostrado indícios
de dumping no segmento, o que explicaria o aumento expressivo dos
desembarques de papel proveniente daqueles países no Brasil.
De
janeiro a setembro, as importações brasileiras de
papel LWC com origem nos quatro países responderam por mais
de 31% do total comprado no exterior, ampliando presença
em comparação aos anos anteriores. No mesmo intervalo,
segundo dados da Bracelpa, o volume total de LWC importado caiu
32% e o consumo aparente recuou 23%, para 164 mil toneladas.
Nesse
cenário de retração, os Estados Unidos teriam
elevado sua participação no mercado brasileiro de
9% para 17%. Conforme fonte da indústria, a margem de dumping
estaria acima de 10% no caso das produtoras americanas."Excedente
de produção, demanda fraca e câmbio que abre
todas as portas para os importados acabam formando um cenário
favorável a esse tipo de prática", disse a presidente
da Bracelpa, Elizabeth de Carvalhaes. Segundo ela, a entidade está
acompanhando as duas investigações, assim como ações
iniciadas em outros países. "Olhamos especialmente a
Argentina, porque os produtos podem acabar chegando ao Brasil por
conta da proximidade geográfica."
Dona
da maior fábrica de papéis revestidos da América
Latina, a sueco-finlandesa Stora Enso ainda não decidiu se
participará do processo. De acordo com o vice-presidente
de operações para América Latina, Glauco Affonso,
cabe ao conselho da multinacional se posicionar sobre o assunto.
"A decisão deve ser tomada dentro do primeiro trimestre."
A maior
concorrência com os importados, que foram beneficiados pela
desvalorização do dólar, e o desaquecimento
da demanda doméstica levaram a Stora Enso a paralisar a produção
na fábrica de Arapoti (PR) por 32 dias neste ano. Em 2008,
a produção de papel na unidade alcançou 183
mil toneladas e deve cair a 160 mil toneladas em 2009. A capacidade
instalada é de 200 mil toneladas. Ainda assim, a fábrica
deve encerrar o ano com uma das maiores taxas de ocupação
do grupo, de 85%. "Para contornar a crise, lançamos
três tipos de papéis", explicou Affonso.
Além
de câmbio e demanda desfavoráveis, o segmento de LWC
é desafiado pela crescente importação de papel
imune (livre de impostos) para fins que não sejam editoriais.
Estudo da Bracelpa, conforme Affonso, estima que 60% do papel imune
que chega ao país não é utilizado para essa
finalidade, descumprindo a legislação. "As fabricantes
brasileiras ficam em situação de grande desvantagem",
diz. "O mais fácil seria que todos pagassem impostos,
como acontece no Hemisfério Norte."
A mudança
na legislação para o papel imune é uma das
principais reivindicações do setor. Pelas regras atuais,
o custo para colocar o papel importado para fins comerciais no país
chega a 20%, considerando-se Imposto de Importação
de 14% e outros gastos. Para escapar desse custo, o papel é
desembarcado sob a classificação imune e desviado
de sua finalidade, sem que a fiscalização consiga
controlar o movimento.
Para
as produtoras domésticas, pesa ainda a impossibilidade de
repasse ou compensação do Imposto sobre Circulação
de Mercadorias e Serviços (ICMS). "De partida, temos
desvantagem de 10% a 12% frente ao importado", afirmou Affonso.
Fonte:
Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online
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