Crise das papeleras estremece relações bilaterais

23/11/2009 - O bloqueio da ponte que liga as cidades fronteiriças de Gualeguaychu (Argentina) e Fray Bentos (Uruguai) completou três anos, sem solução à vista. Até hoje argentinos impedem a passagem em protesto pela chegada das plantas de papel e celulose no país vizinho. O caso foi levado ao Tribunal Internacional de Haia e deverá ter um veredicto em 2010. Na última defesa jurídico-diplomática que apresentaram, em outubro, o Uruguai acusou a Argentina de manipular e distorcer estudos para sustentar a tese de poluição do rio da Prata por causa das "papeleras". Foi mais um episódio dos entreveros que marcam o mau momento nas relações entre os dois países.

Em 2002, o então presidente do Uruguai, Jorge Batlle, do partido Colorado, atravessou às pressas o rio da Prata para desfazer um constrangimento. Sem saber que as câmeras ainda o gravavam, na pausa de uma entrevista, Batlle disse que os argentinos eram "um bando de ladrões, do primeiro ao último".

Em setembro deste ano, em plena campanha presidencial, um novo entrevero. No livro "Coloquios", sobre sua vida, o candidato da Frente Ampla, José Mujica, dirige críticas à Argentina. Além de qualificá-la como um país "que se despedaça", diz que o peronismo é um "fenômeno incompreensível" e compara o casal Néstor e Cristina Kirchner a "uma gangue". As declarações entraram no centro da campanha, mas o mal-estar entre Mujica e os Kirchners acabou sendo contornado.

Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Celulose Online