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Bracelpa
cogita pedir medidas antidumping
23/11/2009
- As indústrias de papel instaladas no Brasil já começam
a se preocupar com a entrada de produtos chineses no mercado doméstico.
Por enquanto o volume é pequeno e não provoca danos
aos fabricantes nacionais, mas dependendo da evolução
do quadro eles poderão seguir o exemplo de empresas de outros
países que pediram a seus respectivos governos a adoção
de medidas antidumping contra as exportações asiáticas,
afirma a presidente executiva da Associação Brasileira
de Celulose e Papel (Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes.
"A
China está com uma postura arrojada na área de papel
em vários mercados", afirma a executiva da Bracelpa.
Segundo ela, a entidade tem informações, embora ainda
não oficiais, de que os governos dos Estados Unidos e da
Argentina estariam estudando ações antidumping diante
da política de "precificação" utilizada
pelos chineses.
No
Brasil, algumas indústrias já pretendem mover ações
semelhantes contra fabricantes europeus de papel LWC (um couchê
de gramatura mais baixa), explica Elizabeth. Na opinião dela,
o mesmo poderá ser feito contra os asiáticos, que
nos oito primeiros meses do ano responderam por 7% das importações
no segmento, de 54,6 mil toneladas. "As importações
brasileiras de papel da China vão crescer", acredita.
Segundo
a presidente da Bracelpa, as indústrias nacionais enfrentam
outros dois problemas na disputa comercial que começa a se
desenhar. Um deles é a valorização do real,
que já estimula as importações. Outro é
o uso irregular do chamado "papel imune", a maior parte
importada, que é isento de impostos para ser usado na impressão
de livros, jornais e periódicos, mas acaba sendo desviado
para outras finalidades como venda em papelarias ou publicação
de encartes comerciais, afirma.
Em
junho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a
lei 11.945, que determina o recadastramento e aumenta o controle
sobre as empresas que operam com papel imune. A medida é
importante, mas para ser posta em prática depende de uma
instrução normativa da Receita Federal que deve sair
neste mês, diz a executiva. Segundo Elizabeth, a estimativa
é que de janeiro a outubro 460 mil toneladas de papel, ou
56% do material declarado como imune no período, foi desviado.
Para
a executiva, o papel brasileiro "é o mais qualificado"
do mercado porque é "feito com a melhor celulose do
mundo". Mesmo assim, ela admite que a qualidade dos fabricantes
chineses está crescendo na mesma medida em que eles aumentam
as compras da matéria-prima do Brasil. De janeiro a setembro,
os embarques de celulose brasileira para a China subiram 44,6% em
valor na comparação com o mesmo período do
ano passado, para US$ 785 milhões, de acordo com a Bracelpa.
Segundo
a executiva, a produção brasileira de papel deve cair
2% neste ano em relação às 9,4 milhões
de toneladas de 2008 em função da crise global. Ainda
assim, o nível de utilização da capacidade
instalada das fábricas está perto do limite máximo,
mas a desaceleração da economia, que até maio
provocou uma ociosidade de cerca de 30% na indústria nacional,
adiou muitos projetos de expansão do setor, comenta Elizabeth.
"Acredito que as empresas vão começar a se manifestar
sobre seus planos a partir do primeiro semestre de 2010".
Fonte:
Valor Econômico.Adaptado por Celulose Online
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