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Novos
instrumentos para controlar velhas práticas
19/11/2009
- O cenário que anima as apostas é o mesmo do início
de 2008: dólar em queda e real em alta. Essa tendência
foi totalmente revertida pela crise internacional em 2008, transformando
os derivativos em armas de destruição em massa. Foi
então que muitas empresas afundaram em prejuízos.
Segundo estimativa do Banco para Compensações Internacionais
(BIS), as perdas do mercado brasileiro com derivativos chegaram
a US$ 25 bilhões em 2008. O diretor demissionário
do Banco Central (BC), Mário Torós, afirmou ao Valor,
na semana passada, que o prejuízo teria sido menor, de US$
10 bilhões, ainda assim o maior de um país da América
Latina - o México ficou em segundo lugar com US$ 4 bilhões.
Tradicionais
empresas que assumiram posições mais especulativas
acabaram saindo do mapa. Os problemas com derivativos dispararam
a fusão da Sadia com a Perdigão; e da Aracruz com
a Votorantim Celulose, formando a Fibria. As usinas de açúcar
e álcool perderam R$ 4 bilhões durante a safra 2008/09
com derivativos de câmbio, o que acelerou a consolidação
do setor. Até posto de gasolina entrou no embalo, chegou
a contar um banqueiro importante.
O presidente
Lula acusou os empresários que operaram com derivativos de
trambiqueiros e de terem contribuído para aprofundar a crise
para o Brasil.
Para
o BIS, o problema do Brasil e do México foi não ter
mecanismos de controle nem de transparência nos negócios.
Muitas operações escaparam do radar, no diagnóstico
do BIS, por terem sido feitas fora do balanço, no mercado
externo. As empresas apostavam contra a depreciação
das moedas locais vendendo opções de câmbio
em mercados offshore e não informavam as posições
nos balanços.
Com
o objetivo de corrigir as distorções antes que o mercado
retome o antigo ímpeto, o Banco Central (BC) divulgou na
semana passada regulamentação obrigando as empresas
a registrar em câmaras de liquidação operações
com derivativos vinculadas a captações externas. O
registro deve incluir os valores e moedas envolvidos, prazos, contrapartes,
forma de liquidação e parâmetros utilizados.
As
operações padronizadas de derivativos são bem
monitoradas no Brasil. As de balcão são registradas
na BM&FBovespa ou na Cetip e suas regras vêm sendo aperfeiçoadas.
Mas, as feitas no exterior ficavam no limbo. A nova regra estabelecida
na circular nº 3.474, de 11 de novembro, entra em vigor na
última semana do ano. Com o registro, as autoridades podem
fiscalizar e exigir garantias.
Mas
o BC precisa ficar atento porque pode ter que agir novamente. O
mercado internacional de derivativos é bastante amplo e complexo,
especialmente nos negócios de balcão, realizados fora
das bolsas. Essas operações haviam encolhido com a
crise, mas o BIS apurou que cresceram 10% no primeiro semestre para
US$ 605 trilhões.
Os
derivativos também preocupam os Estados Unidos. Foram eles
que puseram a pique seguradoras como a AIG. Está no Congresso
americano projeto de lei que passa a exigir que toda operação
com derivativos seja registrada. Atualmente só contratos
padronizados são registrados em bolsa nos EUA. Com isso,
os investidores terão que depositar margens e ter capital
para bancar seus riscos. O projeto vai além do que pretendia
a equipe de Obama e não isenta da exigência empresas
que apenas querem cobrir seus riscos, como oscilações
nos preços de matérias-primas.
Na
Europa, os derivativos também estão sob suspeita.
Mas a União Europeia resolveu adiar a adoção
de uma mudança radical nas regras de contabilidade desses
produtos financeiros, recomendada pelos especialistas, porque obrigaria
as instituições financeiras francesas, alemãs
e italianas a registrar grandes perdas.
Fonte
Valor Econômico.Adaptado por Celulose Online
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