Indústria registra crescimento gradua

Mas segmento em Minas Gerais ainda não atingiu o ritmo produtivo registrado no período pré-crise.

LEONARDO FRANCIA.

14/11/2009 - A indústria de celulose, papel e produtos de papel ainda não atingiu o ritmo produtivo do pré-crise mesmo apresentando crescimento gradual ao longo dos meses deste ano. Em outubro, o setor registrou crescimento de 6% na produção frente à de setembro.

No entanto, o desempenho no acumulado dos 10 primeiros meses deste exercício mostra que o segmento ainda está aquém de atingir os níveis do mesmo período de 2008, quando a produtividade foi 8% superior.

DIVULGAÇÃO

O setor, que é considerado o "termômetro" da indústria, está em recuperação

O presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose, Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG), Antônio Eduardo Baggio, explicou que, no exercício passado, o desempenho do parque fabril do setor foi muito forte até setembro, quando a crise financeira eclodiu mundo afora e derrubou o preço da celulose em 33% em virtude da retração na demanda.

"Durante os nove meses que antecederam a crise no ano anterior, alguns segmentos apresentavam elevação relativa à produtividade de 20% ante idêntico período de 2007", lembrou. No último trimestre de 2008, segundo ele, a produção caiu drasticamente.

Baggio afirmou que o incremento de 17% da produção de outubro de 2009 frente a do igual mês do exercício passado comprova que, naquele período de 2008, o segmento já refletia de forma negativa os efeitos do desaquecimento.

Ao mesmo tempo, o presidente do Sinpapel-MG projeta uma queda entre 8% e 10% no resultado final do volume produzido de 2009 sobre o do ano anterior. "O volume produzido ao longo deste ano cresceu mensalmente de forma gradual, sem grandes saltos a exemplo da retomada da economia nacional", observou.

Mercado - O faturamento do setor, de acordo com os dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), de janeiro a setembro deste ano foi 23% inferior ao do igual período de 2008. Mas Baggio enfatizou que o dado mascara o rendimento real do segmento "porque a indústria fabricante de celulose, que sentiu fortes impactos da retração da demanda e, por conseqüência, da redução do preço do produto, representa a maior parte do indicador".

ALISSON J. SILVA

Baggio: desempenho do parque fabril foi muito forte até setembro de 2008

Como exemplo, o presidente do sindicato citou a Celulose Nipo-Brasileira (Cenibra), com planta em Belo Oriente, no Vale do Rio Doce. Segundo ele, somente a fabricante detém fatia correspondente entre 30% e 40% do faturamento total do setor em Minas Gerais.

Baggio revelou que 95% da produção da fábrica são destinadas ao mercado externo, fato que proporcionou a queda nas vendas da companhia e, em virtude da relevante participação na receita da indústria de celulose estadual, do segmento como um todo.

Ainda conforme os dados da Fiemg, no acumulado dos nove primeiros meses deste ano, a indústria de celulose, papel e produtos de papel mineira já utiliza média semelhante de percentual da capacidade instalada na comparação com a do idêntico período de 2008. O presidente do Sinpapel ressaltou mais uma vez que podem ocorrer variações no uso da totalidade produtiva em função do mercado reagir diferentemente para cada segmento dos setor.

Em relação à tendência de substituição de sacos plásticos por sacolas de papel ou papelão pelo comércio e supermercadistas mineiros, Baggio afirmou que a troca "colabora para alavancar a produção e as vendas do setor, mas ainda é cedo para falar em números ou projeções".

Fonte: jornal Diário do Comércio