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Suzano
sinaliza para aumento da celulose
10/11/2009
- Estoques de celulose em níveis inferiores aos do pré-crise,
apetite chinês pela matéria-prima associado ao gradual
retorno das compras europeias e norte-americanas e a desvalorização
do dólar constituem "condições óbvias"
para um novo aumento de preços da matéria-prima, acredita
o presidente da Suzano Papel e Celulose, Antonio Maciel Neto.
Em
entrevista à Reuters nesta segunda-feira, o executivo evitou
afirmar se a companhia trabalha com a expectativa de novo reajuste
ainda em 2009, o que elevaria a sete o número de aumentos
de preço anunciados no decorrer do ano. No entanto, Maciel
destacou que as condições favoráveis estão
postas.
"Há
condições óbvias para aumentos de preços...
Não será surpresa se houver um novo aumento de preços",
afirmou.
Junto
à divulgação dos resultados do terceiro trimestre,
em 23 de outubro, a Suzano anunciou o sexto reajuste no ano para
os preços da celulose de fibra curta, de no mínimo
20 dólares por tonelada, conforme a região. Os novos
valores de referência estão em vigor desde 1o de novembro,
mas ainda não compensaram a desvalorização
do dólar frente ao real.
Segundo
Maciel, nos 10 últimos anos, o preço médio
da celulose colocada (preço CIF) na Europa foi de 580 dólares
a tonelada. Considerando-se câmbio médio de 2,32 reais,
a tonelada da matéria-prima foi negociada, em média,
a 1.345,60 reais.
Hoje,
a celulose de fibra curta é vendida a 700 dólares
a tonelada no mercado europeu, valor que, convertido a uma taxa
de 1,75 real, corresponde a 1.225 reais.
"Há
uma importante diferença de preços e 80 por cento
de nossos custos estão em reais", afirmou Maciel, acrescentando
que a acomodação da moeda norte-americana em novos
patamares poderá repercutir em uma realidade diferente de
preços para a celulose. "Os preços em dólares
perderam a referência", disse.
Além
do comportamento da moeda norte-americana, a expectativa de demanda
crescente por celulose de eucalipto, especialidade das produtoras
brasileiras, também oferece subsídios a novos reajustes.
"Há
espaço para a celulose de eucalipto crescer no próprio
mercado de fibra curta, via substituição, e no de
fibra longa", comentou. "E há crescimento por conta
da maior produção de papel, este sim concentrado na
Ásia", acrescentou.
Diante
desse cenário, a Suzano se prepara para colocar em operação
duas novas fábricas de celulose, uma no Estado do Maranhão
e outra no Piauí, com capacidade de produção
de 1,3 milhão de toneladas ao ano cada. As unidades devem
começar a produzir em 2013 e 2014, respectivamente.
A implantação
de uma terceira fábrica --ou de uma segunda linha de produção
em uma das unidades que ainda serão construídas--
será tema de discussão no final do ano. "Por
enquanto não podemos afirmar nada", disse Maciel. "Houve
uma mudança forte de cenário", ponderou, referindo-se
à crise global.
CRESCIMENTO
ORGÂNICO EM CELULOSE
No negócio de celulose, disse o executivo, a estratégia
da companhia é exclusivamente a de crescimento orgânico,
sem planos de eventuais aquisições. "Houve uma
reorganização do setor, mas os 'players' são
os mesmos. Não pensamos em associação ou compra",
afirmou.
Recentemente,
as produtoras brasileiras, que lideram o mercado mundial de celulose
de eucalipto, assistiram à união de Votorantim Celulose
e Papel e Aracruz para formar a Fibria, e avanço da chilena
CMPC no mercado brasileiro, por meio da compra da fábrica
de Guaíba (RS), que pertencia à Aracruz.
Como
parte do acordo de compra e venda, a CMPC teria se comprometido
a não levar adiante uma expansão planejada para Guaíba
antes de 2015, sob pena de elevar o valor do negócio.
"Os
projetos de Maranhão e do Piauí serão os melhores
que podem ser feitos. Foram anos de pesquisas e testes com 2 mil
clones (de mudas) para chegar aos cinco (clones) que serão
usados", destacou.
APOSTA
EM PAPEL
Já no mercado de papel, em que a Suzano detém a liderança
dos segmentos em que atua, a companhia não descarta eventuais
compras. "Não podemos dizer que não vamos comprar",
disse Maciel, evitando ser mais específico.
Uma
das apostas de analistas que acompanham o setor de celulose e papel
é que a companhia, pertencente à família Feffer,
fique com a totalidade do Conpacel, consórcio de Suzano e
VCP que administra uma unidade industrial no interior de São
Paulo.
Oficialmente,
a Suzano informa que se em algum momento for procurada pela parceira,
vai estudar a proposta. "Mas não existe conversa neste
momento", disse Maciel.
Fonte:
REUTERS. Adaptado pelo Celulose Online
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