Cada setor trata de fazer a lição de casa

09/11/2009 - Cada segmento exportador faz a sua lição de casa para sobreviver no cenário de queda dos embarques. As cerâmicas procuram vender em euro para manter a viabilidade econômica. As fábricas de papel e celulose investem em tecnologia para ganhar produtividade.

Estas últimas tiveram que redimensionar as fábricas. Algumas simplesmente pararam as atividades e outras fizeram adequações para se concentrar no mercado interno, de acordo com Flávio José Martins, presidente do Sindicato das Indústrias de Papel e Celulose de Santa Catarina (Sinpesc).

Muitas empresas pararam de exportar. O mercado interno inchou e o preço do produto caiu. Uma saída foi aproveitar o dólar baixo para comprar equipamentos, adequar a tecnologia para nichos novos de mercado. Os investimentos são feitos para melhorar a produtividade - diz.

As indústrias cerâmicas do Sul do Estado estão com dificuldades de exportar porque o principal mercado eram os Estados Unidos, maior afetado pela crise global, cuja demanda ainda está baixa, ressalta Murilo Bortoluzzi, diretor da Itagres.

O mercado interno tem sido a saída desde setembro de 2008. Mas houve redução das exportações. A Itagres embarcava 35% da produção. Agora destina 15% ao mercado externo. Uma opção que encontramos foi vender em euro.

Cerâmicas adequam perfil exportador
Para o diretor da Cerâmica Portobello, Luiz Felipe Lenzi Brito, não há vantagens no dólar baixo, mesmo que desta maneira fique mais barato manter uma unidade fora do país, se a exportação não conseguir suportar o câmbio atual, ou seja, o preço final deixar de ser competitivo nos principais importadores.

A saída é encontrar mercados alternativos, onde é possível a venda de um portfólio mais nobre e com maior valor agregado. Produtos de médio ou baixo valor ficam inviáveis neste câmbio se comparado ao preço praticado pelo mercado.

Para a Portobello, a alternativa foi justamente mirar em mercados abertos a produtos mais caros, como a América do Sul, onde a empresa tem o poder da marca e custo logístico menor. Vale também o foco em países europeus que trabalham com o euro, muito mais estável que o dólar, esclarece o diretor.

Neste momento, o melhor a se fazer é manter um volume mínimo que consiga sustentar uma operação viável aos acionistas. Continuar na busca de mercados alternativos e aguardar uma melhora no cenário cambial - aposta Brito.

Fonte:Diário Catarinense. Adaptado pelo Celulose Online