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Setor
de C&P pressiona por créditos de carbono
28/10/2009
- A indústria de papel e celulose, tida por muitos como vilã
ecológica, trabalha para melhorar sua imagem e pretende defender
suas florestas plantadas de eucalipto - alvo frequente de grupos
ambientalistas, que acusam esse tipo de vegetação
de acabar com a biodiversidade local. Às vésperas
da Conferencia de Copenhague sobre combate a mudanças climáticas,
a Associação Brasileira de Celulose e Papel (Bracelpa)
coordena uma campanha, com o apoio de empresários de oito
países, para incluir o setor no mercado de crédito
de carbono.
"O
eucalipto brasileiro tem a folha mais produtiva do mundo e também
a que mais absorve carbono. Nosso papel é puro carbono sequestrado",
diz Elizabeth de Carvalhaes, presidente da Bracelpa, que expôs
a proposta na semana passada, em Buenos Aires, durante o Congresso
Florestal Mundial. Segundo ela, as florestas plantadas de eucalipto
no Brasil ocupam uma área de 2 milhões de hectares
e absorvem 64 milhões de toneladas de CO 2 equivalente por
ano.
Em
todo o processo produtivo, nas 220 fábricas de papel e celulose
do país, emitem-se 21 milhões de toneladas/ano. "Temos
um saldo favorável de 43 milhões de toneladas/ano,
mas não podemos vendê-las como crédito de carbono
aos países industrializados."
A barreira
para isso está no formato atual do Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL) e sua previsão de que o carbono armazenado em
projetos florestais corre "risco de não permanência".
Ou seja, nada garante que os eucaliptos de hoje estarão de
pé no futuro. Para vencer essa restrição, a
Bracelpa defende a implementação de seguros e monitoramento
periódico, em troca da inclusão das florestas.
A proposta
é apoiada por fabricantes de outros oito países que
obtêm matéria-prima só de florestas plantadas:
Argentina, Chile, Uruguai, África do Sul, Austrália,
Nova Zelândia, Espanha e Portugal. No Brasil, a indústria
de celulose se aliou a canavieiros e agricultores para formar a
Aliança Brasileira pelo Clima e pressionar o governo a endossar
o pleito.
Carvalhaes
prefere não fazer estimativas sobre o potencial de ganho
financeiro do setor se a proposta vingar. Acha que "ninguém
plantará um hectare de florestas a mais só para vender
crédito de carbono", mas está convencida de que
os milhões de dólares que isso acrescentaria às
empresas podem ser a diferença entre construir ou não
uma nova fábrica. "Até 2017, podemos ultrapassar
a China como maior produtor mundial de celulose. Já existem
planos de investir US$ 20 bilhões nesse período e
expandir a área plantada em 25%", detalha a executiva.
O mercado
de celulose vive uma recuperação da crise, mas ainda
está longe do clima de euforia de julho de 2008, quando o
preço da tonelada alcançou US$ 840. Chegou a baixar
para US$ 480 em janeiro, mas depois se reergueu e atinge US$ 650
hoje.
A rigor,
a proposta desenhada pelo setor pode não trazer ganhos ambientais,
já que significa apenas que os países com excedente
de emissões de gases-estufa possam compensá-las comprando
créditos da indústria de celulose. "Somos favoráveis
a que os países industrializados assumam metas importantes
de redução das emissões. Mas só a melhoria
dos processos produtivos não permite aos países alcançar
tais metas."
Para
Carvalhaes, a inclusão das florestas plantadas no MDL significaria,
além de milhões de dólares a mais, uma espécie
de "selo verde" para o setor. "Ainda pensam que fabricamos
papel a partir de desmatamento na Amazônia."
Embora
não use mata nativa, a indústria brasileira de celulose
está na mira do Bank Track, uma lista de projetos elaborada
por ONGs de todo o mundo que busca suspender financiamento a empreendimentos
danosos ao ambiente.
Fonte:Valor
Econômico
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