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Código
ambiental vira bandeira de luta
22/10/2009 - A bandeira ambiental será o tema escolhido pelos
representantes dos ruralistas no poder para as eleições
2010. A informação foi publicada no jornal "Valor
Econômico" e chama atenção para a postura
dos deputados do Estado. Aqui, a defesa por um código ambiental
estadual segue os mesmos moldes de Brasília, dizem os ambientalistas.
Aqui,
os deputados Atayde Armani (DEM), Luciano Pereira (PSB) e Freitas
(PTB), entre outros envolvidos com a Comissão de Agricultura
da Assembléia Legislativa, já iniciaram mobilização
para a criação de um novo código e, paralelamente,
com a criação de projetos de lei que possam beneficiar
o setor.
Entre
eles está o Projeto de Lei (PL) 462/2009 do deputado Atayde
Armani, que quer dilatar os prazos para as empresas sucroalcooleiras
acabarem com a prática de queima de cana até 2020.
Segundo o PL, as empresas teriam até 2025 para acabar com
a queima.
Já
a proposta de reformulação do código nacional,
que há mais de dez anos tramita no Congresso, dificilmente
será aprovada neste ano, tornando as propostas para um novo
código um forte tema para as campanhas eleitorais.
O risco
vale também para os ambientalistas em Brasília que
deverão utilizar suas campanhas para evitar a aprovação
das mudanças. Segundo eles, é necessário que
haja ajustes. Entretanto, as propostas vindas do setor ruralista
contribuem somente para a expansão do negócio, ao
invés de garantir a integridade do meio ambiente.
Em
meio ao embate, um decreto presidencial fixou em 11 de dezembro
o prazo final para que as propriedades rurais se adaptem às
atuais regras. Conforme foi divulgado em "Valor Econômico"
do último dia 19, estima-se que, das 5,17 milhões
de propriedades do País, cerca de 3 milhões estariam
sujeitas a sanções por devastação irregular.
O novo
código proposto pelos ruralistas visa, principalmente, a
flexibilizar esse decreto que obriga o setor rural a regularizar
as áreas de reserva legal e da preservação
permanente. Os ruralistas querem pedir a revogação
do decreto por um ano, alegando que precisam votar antes o novo
código florestal.
Com
a prorrogação do debate sobre o código até
2010, fica fácil para os parlamentares que apóiam
o setor ruralista "se aproximarem dos financiadores de campanha".
Em outras palavras, a defesa de regras mais flexíveis poderia
ajudar na arrecadação de recursos para a reeleição
de deputados.
A própria
"retomada do debate sobre as mudanças no atual Código
Florestal está relacionada ao fortalecimento da bancada ruralista",
diz o jornal. "Na atual legislatura, metade da bancada do agronegócio
é de governistas. No primeiro mandato, menos de um terço
era da base".
Prova
da força ruralista foi a eleição da Comissão
Especial do Código Florestal, que tem à frente Moacir
MIcheletto (PMDB-SP) na presidência e Aldo Rebelo (PCdoB-SP)
na relatoria. Ambos criticados pelos ambientalistas.
No
Estado, a comissão que discute a criação de
um código florestal estadual também possui representação
maciça do setor do agronegócios. Compõem a
comissão a ONG ES em Ação, denunciada por ambientalistas
por descriminar índios e quilombolas no Estado e defender
a Aracruz Celulose na ocupação de terras tradicionais;
Federação da Agricultura e Pecuária do Estado
do Espírito Santo (Faes); Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural (Senar); Comissão de Agricultura da Ales, entre outros.
Fonte:
Século Diário.com
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