Demanda chinesa dita investimento de indústrias

19/10/2009 - Investidores brasileiros estão de olho em quais produtos a população chinesa, principalmente a que migra da área rural para a urbana, vai consumir nos próximos anos. Motivo: as empresas fornecedoras desses produtos são as que têm maiores chances de crescimento - e, por tabela, os investidores que tiverem ações dessas companhias também vão ganhar dinheiro. O mapa da mina, segundo especialistas, aponta para quatro principais tesouros no gigante asiático: petróleo, minério de ferro, papel e celulose e alimentos.

A população da China é a maior do planeta, somando cerca de 1,35 bilhão de habitantes, o que representa mais de um quinto do total mundial, sendo que cerca de 800 milhões ainda vivem na zona rural. Aproximadamente 20 milhões saem do campo para a cidade todos os anos, segundo estudo realizado pela Ativa Corretora. O montante é equivalente ao número de habitantes da Região Metropolitana de São Paulo. "A demanda dessa urbanização é o que mais chama a atenção. A mudança do perfil de consumo é o que traz otimismo", disse o economista-chefe da instituição financeira, Arthur Carvalho. De acordo com ele, a renda média anual dos habitantes instalados na zona rural é de US$ 3 mil per capita, mas sobe para US$ 10,5 mil na área urbana.

Em um primeiro momento, os setores mais promissores para investimento no curto prazo são minério de ferro e aço. No longo prazo, são papel e celulose e alimentos. "O morador da cidade usa mais embalagens, veículos, come mais proteína animal que vegetal. O problema é que o chinês ainda é pobre. A renda média per capita do brasileiro é mais que o dobro, de US$ 24 mil. Individualmente, pode parecer que o consumo aumenta pouco. Mas é tanta gente que a demanda global se torna significativa", afirma Carvalho. O economista preferiu não detalhar quais seriam os papéis mais promissores. No mercado brasileiro, entretanto, destacam-se as siderúrgicas, a mineradora Vale, as indústrias de alimentos JBS-Friboi e Sadia Perdigão, as de papel e celulose Suzano Papel & Celulose, Votorantim e Aracruz, além da Petrobras.

"A tendência é de que a China consuma cada vez mais minério e aço, energia, celulose e papelão e alimentos. Vai caber às empresas brasileiras se diferenciarem no cenário internacional. Em vez de exportar carne in natura, por exemplo, podem fornecer carne processada", exemplifica o diretor da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China (CCIBC), Kevin Tang. O secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil China (CEBC), Rodrigo Maciel, disse que estudo realizado pela entidade identificou 619 tipos de produtos brasileiros potenciais para serem exportados para a China no curto, médio e longo prazos. No curto prazo são 147 itens, como, inclusive, calçados de valor agregado, como a Itália faz. "Os empresários brasileiros precisam conhecer mais a China, definir estratégias e investir", afirmou.

Segundo Maciel, o que o governo chinês também quer fazer é tentar levar o desenvolvimento da região costeira para a área central do país. "Como se faz isso? Levando desenvolvimento para o interior. Por isso, o crescimento da China será sustentado pelos investimentos em infraestrutura", diz. O número de cidades médias chinesas, de 69 em 2005, saltaria para 115 em 2025. Dessa forma, a população urbana, hoje em cerca de 350 milhões, poderia dobrar nos próximos anos.

Fonte Portal UAI