Vendas de papelão estão estáveis em Minas Gerais

Setores automotivo, eletrodoméstico e telefonia estavam aquecidos, mas em setembro voltaram a patamares mais baixos.

BUNO PORTO.

14/10/2009 - As vendas de papel e papelão em Minas Gerais não acompanharam o desempenho registrado em âmbito nacional. No Brasil, a comercialização de papelão ondulado teve alta de 6,11% em setembro na comparação com agosto. As vendas atingiram no mês passado 205,7 mil toneladas contra 193,3 mil toneladas um mês antes.

Na comparação com setembro do ano passado, quando a comercialização do produto atingiu 195,8 mil toneladas foi apurado salto de 5,05%. No ano, até setembro, o setor acumula vendas de 1,645 milhão de toneladas frente a 1,722 milhão de toneladas em igual intervalo de 2008. O resultado corresponde a queda de 4,47%. Os dados são da Associação Brasileira de Papelão Ondulado (ABPO).

No Estado, conforme o presidente do Sindicato das Indústrias de Celulose Papel e Papelão no Estado de Minas Gerais (Sinpapel-MG), Antônio Eduardo Baggio, o segmento de papelão ondulado contabilizou em setembro vendas estáveis em relação a agosto. "Foi um resultado abaixo do esperado, uma vez que as vendas tinham se comportado de maneira favorável em julho e agosto", disse.

Para o segmento de embalagens de papelão o resultado das vendas de setembro também foram semelhantes ao apurado em agosto. "Ficou praticamente estável. Os setores automotivo, eletrodoméstico e telefonia estavam com o mercado aquecido, mas em setembro voltaram a patamares mais baixos", afirmou o presidente do Sinpapel-MG.

Desempenho - No setor de papel, o desempenho das vendas pelos produtores mineiros foi ainda mais desfavorável, com queda em setembro entre 2% e 3% ante agosto. "O resultado foi puxado principalmente pelas vendas fracas de papel sanitário, como toalhas de papel", observou Baggio.

De acordo com o dirigente classista, as vendas totais do setor no acumulado de janeiro a setembro estão em retração de 1% em relação ao mesmo período do ano passado e devem encerrar o exercício próximo da estabilidade na comparação com a comercialização de 2008.

Conforme dados da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o setor de celulose, papel e produtos de papel registrou redução no faturamento de 37,59% em agosto ante julho. Na comparação com agosto do ano passado foi verificada nova queda acentuada, de 29,91%. No acumulado de janeiro a agosto deste ano em relação a igual período do ano passado o setor contabiliza retração de 23,23% nas receitas.

Em virtude dos resultados desfavoráveis nas vendas, a indústria do papel no Estado opera atualmente com 25% de ociosidade. Além disso, as empresas também enfrentam problemas de caixa, já que no ano passado houve um volume expressivo de investimentos no setor na expectativa de elevação das vendas este ano.

Em decorrência da crise, porém, as projeções não foram alcançadas e o pagamento das linhas de financimento contratadas para que os aportes fossem executados promoveu desajustes no setor financeiro de alguns empreendimentos.

A apreciação do real frente o dólar também acarretou importantes perdas. O preço dos produtos despencou no mercado internacional, o que diminuiu fortemente a rentabilidade dos negócios.

Fonte: Diário do Comércio