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Demanda
mundial começa a se recuperar
12/10/2009 - O mercado externo começou a melhorar para os
produtos industrializados brasileiros, que sofrem com a queda na
rentabilidade provocada pelo câmbio. Entre julho e setembro,
o indicador de nível de demanda externa apurado pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV) subiu quase 22% e deu uma injeção
de otimismo nos fabricantes de celulose, produtos químicos
e metalurgia. Esses três setores, além da indústria
mecânica e de material de transporte, responderam por mais
de 90% do aumento da demanda externa que foi captada pelas indústrias.
"Essa
mudança de rota da procura externa pelos industrializados,
especialmente os produtos intermediários, reflete os primeiros
sinais de recuperação da economia mundial, depois
do ajuste de estoques", afirma o coordenador da Sondagem Conjuntural
da Indústria de Transformação da FGV, Aloisio
Campelo. Ele ressalta que a melhora na procura aconteceu apesar
da valorização do real em relação dólar,
que foi de 9,76% no terceiro trimestre. A pesquisa da FGV consulta
mensalmente 1.125 indústrias.
Dados
dessazonalizados das exportações de setembro, elaborados
pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi),
mostram que as vendas de manufaturados cresceram 1,7%, após
terem aumentado 3,9% em agosto. Segundo o Iedi, é uma "possível
indicação de que a retomada da economia mundial está
ajudando as vendas externas de manufaturas a recuperar em parte
o grande declínio que tiveram após a crise".
A reação
foi sentida, por exemplo, pela Klabin nas exportações
de cartões utilizados para embalagens da indústria
de alimentos, bebidas, congelados e produtos de higiene e limpeza.
"Tivemos uma reação importante nas exportações
para os Estados Unidos desde abril e, a partir de junho, para a
Europa. Foi uma surpresa", disse o diretor comercial de cartões
da empresa, Edgard Avezum.
As
exportações de cartões da companhia para a
Europa já cresceram 90% em volume e valor. Para os EUA, dobraram
na comparação com o mesmo período de 2008,
conta o executivo. A expectativa inicial, diz ele, era de que a
retomada das vendas para os EUA ocorresse no segundo semestre deste
ano e só em 2010 para a Europa. A reação veio
mais cedo e foi puxada pelo crescimento do consumo de alimentos
e bebidas nos países desenvolvidos. Além disso, ele
observa que, com a crise, fábricas de cartões do Hemisfério
Norte fecharam as portas. Com isso, a empresa conquistou novos compradores.
"Tivemos um aumento de 35% no número de clientes neste
ano."
A presidente
executiva da Associação Brasileira de Celulose e Papel
(Bracelpa), Elizabeth de Carvalhaes, diz que as exportações
de celulose em volume cresceram 12,8% entre janeiro e agosto em
relação a igual período de 2008. Em agosto,
a alta nas quantidades exportadas de celulose foi de 21,8% ante
o mesmo mês do ano passado.
"De
junho para cá sentimos uma recuperação crescente
e constante no nível das exportações em volume,
puxada pelas compras da China, que passou a ser o nosso principal
cliente no lugar da Europa." Segundo Elizabeth, apesar do aumento
do volume e da recuperação dos preços da celulose,
a receita de exportação entre janeiro e agosto caiu
22% e devem encerrar o ano com retração.
A indústria
química também captou uma recuperação
dos volumes exportados e uma retomada dos preços. "Desde
julho estamos sentindo crescimento nas exportações,
depois do fundo poço que foi atingido em janeiro", afirma
o gerente de comércio exterior da Associação
Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Renato
Endres. De janeiro a agosto, as exportações de produtos
químicos cresceram 15,6% em volumes e caíram 19,5%
em valor.
Nas
contas da entidade, as exportações de produtos químicos
deverão fechar o ano em US$ 12 bilhões, a mesma cifra
de 2008. Até agosto as vendas externas somam US$ 6,4 bilhões.
"Isso significa que teremos uma recuperação forte
no último trimestre", prevê Endres.
A Vitopel,
maior fabricante de embalagens plásticas flexíveis
da América Latina, ampliou em 25% as exportações
no terceiro trimestre em relação ao segundo e trabalha
a plena capacidade nas fábricas. Os preços internacionais
das embalagens plásticas subiram cerca de 6% nos últimos
dois meses.
"Os
clientes voltaram a comprar para recompor os estoques que ficaram
defasados", afirma o presidente da empresa, José Ricardo
Roriz Coelho. O maior comprador é os EUA.
Fonte:
Estado de SP. Adaptado pelo Celulose Online
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